“Viver as Muralhas” prepara transformação integrada do Castelo e da Cidadela de Bragança
- 29/08/2026 12:53
- Redação
O Município de Bragança está a preparar o programa integrado de valorização do Castelo e da Cidadela, denominado “Viver as Muralhas”, com o objetivo de melhorar a mobilidade, o espaço público, o acolhimento turístico, a atividade económica e a articulação dos equipamentos culturais existentes dentro das muralhas.
A iniciativa, determinada pela presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira, parte de uma fase de planeamento e participação, na qual serão estudadas diferentes soluções e ouvidos residentes, comerciantes, instituições, entidades culturais, forças de segurança, associações e operadores turísticos.
“O ‘Viver as Muralhas’ parte de uma visão já muito amadurecida para o Castelo e para a Cidadela. Sabemos os problemas que queremos resolver e as áreas em que queremos intervir”, afirma Isabel Ferreira, citada em comunicado.
A autarca sublinha que o programa pretende olhar para a Cidadela “a partir de quem vive, de quem trabalha e de quem visita este espaço”, procurando organizar melhor a circulação e o estacionamento e reduzir a pressão automóvel onde esta não seja necessária.
“Não partimos com soluções fechadas. Vamos ouvir os residentes e as entidades envolvidas, estudar as alternativas e testar as soluções antes de as tornar definitivas”, acrescenta a presidente da Câmara.
Uma das principais áreas de intervenção será a circulação automóvel e o estacionamento. O programa prevê estudar um condicionamento progressivo do trânsito no interior da Cidadela, mantendo os acessos necessários aos residentes, pessoas com mobilidade condicionada, veículos de emergência, serviços públicos e operações de cargas e descargas.
Será também realizado um levantamento das necessidades efetivas de estacionamento dos residentes e analisada a reorganização e sinalização dos lugares existentes.
Entre as possibilidades em estudo está ainda a reconversão de vários patamares do Parque de Autocaravanas da costa sul em estacionamento para visitantes, mantendo o primeiro patamar destinado à atual área de serviço.
O controlo de acessos poderá recorrer a semáforos, leitura de matrículas, cartões ou identificadores eletrónicos e gestão remota, procurando evitar filas ou retenção de veículos junto às portas das muralhas.
O “Viver as Muralhas” prevê igualmente estudar novas soluções de mobilidade entre o Castelo, o centro da cidade e as principais zonas de estacionamento.
Uma das possibilidades passa pela criação de um circuito com veículos elétricos de pequena dimensão, ligando a Estação Rodoviária, o centro da cidade, os parques de estacionamento e o Castelo. Entre as opções consideradas estão um tuk-tuk elétrico, um miniautocarro ou outro veículo silencioso e acessível, adequado às características do centro histórico.
Aos fins de semana está ainda prevista uma ligação regular entre a Estação Rodoviária e o Castelo através do Comboio Turístico da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, procurando articular os horários do transporte com os dos equipamentos culturais e turísticos.
A intervenção contempla também a valorização dos espaços verdes e do espaço público da Cidadela, incluindo mobiliário urbano, iluminação, pavimentos e sinalética.
Serão estudadas novas zonas de estadia e contemplação, melhorias na limpeza urbana e na integração paisagística dos equipamentos de recolha de resíduos, bem como a valorização das entradas e dos percursos entre os diferentes monumentos.
No acolhimento turístico está prevista a análise da requalificação de um espaço para a criação de um Posto de Turismo, além de informação digital e multilingue, percursos temáticos e visitas integradas.
Outra das componentes do programa será a criação de um mercado regular de artesanato e produtos locais, a preparar em conjunto com artesãos, produtores e associações do concelho.
O modelo deverá obedecer a critérios de qualidade, autenticidade e ligação ao território e poderá incluir oficinas, demonstrações ao vivo e atividades destinadas às famílias.
O Município pretende ainda reforçar a ligação entre os equipamentos culturais existentes dentro das muralhas.
Será avaliada, em conjunto com as entidades responsáveis pelo Museu Militar e pela Domus Municipalis, a possibilidade de ajustar horários, sobretudo aos fins de semana, feriados e períodos de maior procura. Está igualmente prevista uma maior coordenação com o Museu Ibérico da Máscara e do Traje, incluindo a realização conjunta de exposições, recriações históricas, visitas e outros eventos culturais.
O programa será desenvolvido por várias fases. Primeiro será feito um diagnóstico da situação atual, abrangendo circulação, estacionamento, necessidades dos residentes, fluxos de visitantes, espaço público e funcionamento dos equipamentos.
Depois será preparado um programa preliminar com soluções alternativas, estimativa de custos, modelo de gestão e cronograma. Seguir-se-á uma fase de consulta e participação pública antes da realização de um projeto-piloto.
As soluções escolhidas serão testadas, preferencialmente aos fins de semana e nos períodos de maior procura. A avaliação terá em conta os dados de tráfego, estacionamento e visitação, a satisfação de residentes e visitantes e o impacto económico.
Só depois desta avaliação serão definidas as medidas a implementar de forma definitiva.
A primeira reunião do grupo de trabalho do “Viver as Muralhas” está marcada para 11 de setembro, dando início à preparação conjunta do programa.
Vão participar serviços municipais ligados ao ambiente e território, turismo, cultura e desenvolvimento económico, a União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, entidades responsáveis pelo Museu Militar e pela Domus Municipalis, PSP, Turismo do Porto e Norte de Portugal e Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança.
O processo envolverá ainda artesãos, produtores, comerciantes, operadores turísticos e representantes dos residentes da Cidadela.