Ceuta pede ao Governo espanhol plano de segurança para o regresso às aulas

Ceuta pede ao Governo espanhol plano de segurança para o regresso às aulas

  • 29/08/2026 13:03
  • Redação

As autoridades de Ceuta pediram ao Governo espanhol que concretize e divulgue o plano de segurança previsto para o início do ano letivo, perante a preocupação das famílias com a situação excecional que a cidade autónoma atravessa.

A conselheira da Educação, Cultura e Juventude de Ceuta, Pilar Orozco, transmitiu ao secretário de Estado da Educação, Abelardo de la Rosa, a necessidade de o Ministério esclarecer as medidas que serão adotadas para garantir que o início das aulas decorra com normalidade, segundo a agência EFE.

Durante o contacto, o secretário de Estado indicou que o Governo espanhol está a preparar um dispositivo de segurança em coordenação com as forças e corpos de segurança do Estado.

De acordo com as autoridades, está garantida a vigilância dos estabelecimentos de ensino durante 24 horas.

Pilar Orozco considerou, contudo, necessário aumentar o nível de concretização e de informação transmitida às famílias, devido à preocupação existente na cidade.

A responsável afirmou que são numerosas as famílias que têm dúvidas sobre se devem levar os filhos à escola no início do ano letivo.

A conselheira pediu que seja explicado com maior precisão em que consistirá o dispositivo de segurança, quantos efetivos serão mobilizados e qual será o reforço de meios face à atual situação.

Durante a reunião foi também abordada a situação de cinco estabelecimentos de ensino considerados prioritários para o reforço da segurança dos seus perímetros.

Entre as intervenções previstas está o aumento da altura dos muros de alguns dos estabelecimentos. Pilar Orozco pediu informações sobre os prazos para a concretização dessas obras.

A responsável defendeu que o objetivo deve ser garantir um início de ano letivo normal e seguro, evitando que qualquer aluno deixe de frequentar as aulas por falta de informação ou por incerteza quanto às condições de segurança.

Está prevista para segunda-feira uma nova reunião entre Pilar Orozco e o diretor provincial da Educação, Cristóbal Guzmán.

A questão da segurança surge num contexto de forte tensão social em Ceuta, depois da entrada de milhares de migrantes na cidade autónoma.

Na sexta-feira, centenas de habitantes de Ceuta, que tem cerca de 83.000 residentes, voltaram a manifestar-se contra a presença de migrantes que entraram na cidade em 30 de julho.

Os manifestantes exigiram também o repatriamento dos migrantes para Marrocos e o abandono do acampamento instalado na praia do Trampolín, junto ao Centro de Estadia Temporária de Imigrantes (CETI), que continua sobrelotado.

Apesar dos vários dias de protestos, não estão previstas novas mobilizações em Ceuta durante este fim de semana, segundo a EFE.

Na sexta-feira, a ministra espanhola da Inclusão, Segurança Social e Migrações anunciou que o Governo aumentou para 44,51 milhões de euros o financiamento, proveniente da União Europeia, destinado ao reforço da ajuda humanitária em Ceuta.

A ministra e porta-voz do Governo espanhol, Elma Saiz, classificou como “extraordinária” a resposta do executivo à entrada ilegal de migrantes na cidade autónoma, tanto do ponto de vista da legalidade como da humanidade.

Quase um mês depois da entrada em massa de migrantes, continuam a não existir dados exatos sobre o número de pessoas que permanecem na cidade.

Algumas estimativas apontam para até 8.000 migrantes que ainda estarão em Ceuta, enquanto as autoridades continuam a lidar com a pressão sobre os serviços de acolhimento e com a sobrelotação do CETI.

  • Fonte: Rádio Renascença
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