BE recusa participar em "campeonato" da direita em torno de moção de censura do Chega

BE recusa participar em "campeonato" da direita em torno de moção de censura do Chega

  • 29/08/2026 17:06
  • Redação

“Esta moção de censura serve basicamente para um campeonato de radicalização entre os partidos da direita”, afirmou José Manuel Pureza à margem de uma concentração do movimento “Deslarguem a Arrábida!”, em Setúbal.

Para o líder bloquista, porém, a iniciativa anunciada pelo Chega não incide sobre essas matérias.

“O Governo merece censura na habitação, na educação e na saúde. Mas esta moção de censura não tem nada a ver com isso”, sustentou.

“É uma coisa entre eles e para esse peditório o Bloco não dá”, acrescentou.

Questionado se, da parte do BE, não haveria unanimidade em torno da iniciativa, Pureza respondeu: “Não, não haverá de todo porque é uma disputa entre partidos da direita. Nós não damos para esse campeonato”, reforçou.

Na sexta-feira, o presidente do Chega, André Ventura, admitiu que o partido avançará na terça-feira, 01 de setembro, com uma moção de censura ao Governo caso o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não resolva, entretanto, a situação do ministro da Administração Interna, Luís Neves.

Ventura considerou que a permanência de Luís Neves no Governo atingiu um nível “grotesco” e “inaceitável” e está a comprometer a credibilidade das instituições.

Questionado sobre a situação do ministro, Pureza considerou que esta é “cada vez mais insustentável”, mas voltou a separar essa questão da iniciativa do Chega.

“Bom, a posição do Ministro da Administração Interna é cada vez mais insustentável, isso é absolutamente verdade, mas esta moção de censura é uma moção de censura que utiliza a gritaria sobre esse assunto como podia utilizar outra coisa qualquer”, afirmou.

Instado a esclarecer se o BE defende que Luís Neves deve ser demitido ou demitir-se, José Manuel Pureza não respondeu diretamente: “Eu estou muito concentrado nas questões da educação, da saúde, nas questões da privatização das praias e não quero nenhuma distração relativamente a isso”, disse.

Na sexta-feira, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, também se escusou a comentar o anúncio do Chega, afirmando que a prioridade socialista é “apresentar propostas para servir as portuguesas e os portugueses”.

“É um revés importante, absolutamente indiscutível, mas é a questão constitucional, não é a questão política que está em causa”, afirmou José Manuel Pureza, à margem de uma concentração do movimento “Deslarguem a Arrábida!”, em Setúbal.

Em causa está a decisão do Tribunal Constitucional, conhecida na sexta-feira, de considerar constitucionais as 11 normas do diploma aprovado pelo parlamento que altera a concessão de asilo e o retorno de estrangeiros e que tinha sido enviado pelo Presidente da República para fiscalização preventiva.

“Sobre essa questão, eu devo dizer que é um revés importante, mas que a luta pelo reconhecimento, pelo respeito dos direitos de todas as pessoas, desde logo aquelas que estão numa situação de maior vulnerabilidade e que procuram Portugal para ter uma vida digna, essa luta não termina aqui”, declarou.

José Manuel Pureza garantiu ainda que o BE continuará a combater politicamente as opções do Governo nesta matéria.

“O Bloco estará, como sempre esteve, do lado dos direitos de humanidade contra as políticas de desumanidade”, afirmou.

  • Fonte: Rádio Renascença
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