Islândia diz "não" à UE. "Vitória para a democracia" e não "um revés", declara primeira-ministra

Islândia diz "não" à UE. "Vitória para a democracia" e não "um revés", declara primeira-ministra

  • 30/08/2026 11:15
  • Redação

A primeira-ministra islandesa, Kristrún Frostadóttir, considerou este domingo que a recusa decidida em referendo na Islândia para retomar as negociações para aderir à União Europeia foi "uma vitória para a democracia" e não "um revés".

"Quero ser absolutamente clara: este Governo não retomará as negociações de adesão durante esta legislatura", afirmou a chefe de Governo, em conferência de imprensa, citada pela AFP.

A atual legislatura a que se refere Frostadóttir tem duração prevista até 2028.

Os islandeses rejeitaram a reabertura das negociações de adesão à União Europeia (UE), de acordo com os resultados definitivos do referendo de sábado.

À pergunta "A Islândia deve reabrir as negociações de adesão com a União Europeia?", 52,8% dos islandeses responderam "não" e 47,2% "sim", noticiou a agência francesa AFP.

Os resultados foram divulgados pela televisão pública RÚV após a contagem de todos os boletins.

Os opositores à retoma das conversações com Bruxelas, interrompidas em 2013, somaram 118.040 votos face aos 105.339 dos partidários do "sim", precisou a agência espanhola EFE.

O resultado negativo da consulta congela qualquer discussão sobre uma eventual adesão da Islândia, pelo menos até 2028, uma desilusão para a UE, que parecia disposta a fazer compromissos para que a Islândia integrasse as suas fileiras.

"É uma escolha soberana da Islândia", reagiu o ministro francês delegado responsável pela Europa, Benjamin Haddad, citado pela AFP, que relativizou a recusa islandesa, lembrando que "a Islândia já faz parte do Espaço Económico Europeu (EEE), pelo que já mantém uma relação muito estreita com as instituições europeias".

Na rede social X, cita a AFP, o líder do partido britânico anti-imigração Reform UK, Nigel Farage, congratulou a Islândia, saliento que o país "votou para manter a sua independência".

Também a líder da extrema-direita Marine Le Pen saudou uma votação que, disse, "transmite uma mensagem inequívoca: os povos devem poder decidir por si próprios o seu futuro, as suas instituições e a sua capacidade de defender os seus interesses nacionais".

Em 2009, na sequência da crise financeira que tinha devastado a sua economia, o país, com cerca de 400 mil habitantes, apresentou a candidatura à União Europeia, mas as negociações foram suspensas em 2013, com a chegada ao poder de um Governo eurocético.

Atualmente, a Islândia está estreitamente associada à UE através da sua participação no Espaço Económico Europeu e também no Espaço Schengen, relações que deverão permanecer inalteradas.

António Costa e a primeira-ministra islandesa trocaram mensagens durante este domingo, revelou um porta-voz do Conselho Europeu.

Segunda a mesma fonte, ambos os líderes exprimiram o desejo de prosseguir o estreitamento de laços entre a UE e a ilha atrlântica.

Para Costa, a Islândia continua a ser um dos aliados mais próximos de Bruxelas.

O presidente do Conselho Europeu garantiu ainda que a União Europeia respeita integralmente a escolha democrática do povo islandês.

[Notícia atualizada às 16h53 com troca de mensagens entre Costa e Frostadóttir]

  • Fonte: Rádio Renascença
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