Telescópio Nancy Grace Roman já está no espaço para desvendar os mistérios do universo
- 30/08/2026 12:47
- Redação
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA já está no espaço, depois de ter sido lançado este domingo a partir do Centro Espacial Kennedy, na Florida, numa missão destinada a investigar alguns dos maiores mistérios da astrofísica e da cosmologia.
O observatório, avaliado em cerca de quatro mil milhões de dólares, foi colocado em trajetória a bordo de um Falcon Heavy, da SpaceX, iniciando uma viagem de aproximadamente três meses até ao seu destino final.
O Roman seguirá para o segundo ponto de Lagrange, L2, uma região situada a cerca de 1,6 milhões de quilómetros da Terra, onde deverá permanecer durante a missão científica.
A missão está inicialmente prevista para cinco anos, mas a NASA estima que o telescópio possa ter combustível suficiente para continuar a operar durante mais cinco anos.
O principal objetivo do Roman é estudar alguns dos maiores enigmas do universo, incluindo a matéria escura e a energia escura, além de testar o comportamento da gravidade em grandes escalas e procurar planetas fora do Sistema Solar.
O telescópio vai complementar o trabalho realizado pelo Hubble e pelo James Webb, mas terá uma característica que o distingue dos dois observatórios: a capacidade de observar enormes áreas do céu de uma só vez.
O campo de visão do Roman será pelo menos 100 vezes maior do que o do Hubble, mantendo uma capacidade de observação comparável em termos de sensibilidade e nitidez.
A NASA compara a diferença à utilização de lentes fotográficas: enquanto o James Webb funciona como uma lente de zoom, permitindo observar regiões muito distantes e detalhadas do universo, o Roman terá uma espécie de lente grande angular, capaz de produzir grandes panoramas cósmicos.
“Será como se Hubble e James Webb tivessem espreitado o universo através de uma fechadura, enquanto Nancy Grace Roman vai arrombar a porta”, afirmou Nicola Fox, responsável pela Direção de Missões Científicas da NASA, citado pela Reuters.
Julie McEnery, cientista sénior do projeto Roman, sublinha que o novo telescópio terá uma velocidade de observação muito superior à do Hubble.
Segundo a cientista, um mês de observações do Roman poderá permitir mapear a Via Láctea, uma tarefa que levaria cerca de um século a realizar com o Hubble.
Uma das principais missões do Roman será criar um dos mais completos mapas tridimensionais do universo alguma vez realizados.
O levantamento científico principal deverá abranger mais de dois mil milhões de galáxias, permitindo aos investigadores estudar a forma como estrelas, galáxias e grandes estruturas cósmicas se formaram e evoluíram.
O telescópio vai também medir a forma como o universo se expandiu ao longo do tempo, procurando pistas que ajudem a esclarecer a natureza da energia escura e da matéria escura.
A matéria comum — que inclui estrelas, planetas, gás e poeira — representa apenas cerca de 5% do conteúdo do universo. A matéria escura corresponderá a aproximadamente 27%, enquanto a energia escura representa cerca de 68%.
A energia escura é particularmente intrigante porque está associada à aceleração da expansão do universo, descoberta pelos cientistas em 1998.
O Roman deverá permitir medir este fenómeno com uma precisão sem precedentes e ajudar a perceber se a energia escura é uma propriedade constante do espaço ou se evolui ao longo do tempo.
O Roman deverá realizar uma das maiores campanhas de pesquisa de mundos fora do Sistema Solar, podendo descobrir milhares de novos planetas e ajudar a construir um levantamento estatístico dos sistemas planetários da nossa galáxia.
Os cientistas esperam que a missão permita identificar planetas que seriam difíceis de encontrar com outros observatórios e compreender melhor a diversidade dos sistemas planetários.
Mas a descoberta de novos planetas não será necessariamente o único resultado surpreendente.
“Um dos aspetos mais empolgantes do Roman é o seu potencial de descoberta”, afirmou à Reuters o cosmólogo Mustapha Ishak, da Universidade do Texas em Dallas e membro da colaboração científica da missão.
O investigador lembra que os grandes observatórios astronómicos frequentemente produzem algumas das suas descobertas mais importantes em áreas que não tinham sido previstas antes do lançamento.
Depois de chegar ao espaço, a equipa científica terá agora cerca de 90 dias para testar e calibrar os instrumentos do observatório antes do início das operações científicas.
As primeiras imagens de alta resolução deverão ser divulgadas antes das férias de inverno, segundo Jackie Townsend, responsável pelo projeto.
O Roman irá ainda trabalhar em conjunto com outros observatórios espaciais e terrestres, permitindo cruzar dados e obter uma visão mais completa dos fenómenos cósmicos.
A velocidade de observação será uma das suas principais vantagens. A NASA prevê que o telescópio possa realizar levantamentos do céu muito mais rapidamente do que o Hubble, permitindo identificar fenómenos raros e distantes numa escala até agora difícil de alcançar.
O lançamento do Roman representa o início de uma nova etapa na observação do universo.
A missão não se limita a responder às perguntas que os cientistas já formularam. A enorme quantidade de dados que irá recolher poderá revelar fenómenos, objetos e comportamentos cósmicos que ainda não foram previstos.
“Parece que estou à beira de um precipício, e estamos prestes a colocar um pé no desconhecido”, afirmou Julie McEnery após o lançamento.
Com capacidade para observar milhares de milhões de galáxias, o Nancy Grace Roman promete transformar a nossa visão do universo e ajudar a responder a algumas das questões fundamentais sobre a sua origem, evolução e futuro.