Nepal eleva para 804 o número de mortos nas cheias. Há mais de 3.000 desaparecidos
- 30/08/2026 14:58
- Redação
O número de mortos na sequência das cheias repentinas que atingiram o Nepal e a região do Tibete, na fronteira com a China, subiu para 804. Há ainda mais de 3.000 pessoas desaparecidas nos dois lados da fronteira.
As autoridades nepalesas contabilizam 788 mortos, enquanto a China confirmou 16 vítimas mortais no Tibete. Do lado chinês estão desaparecidas 546 pessoas e, no Nepal, mais de 2.500, incluindo centenas de estrangeiros. Entre os desaparecidos encontram-se também cerca de mil trabalhadores de centrais hidroelétricas, que poderão estar presos em túneis inundados.
As operações de busca e salvamento prosseguem em condições particularmente difíceis. Os balanços têm sido atualizados várias vezes ao dia devido à dimensão da catástrofe e às dificuldades de comunicação e acesso às zonas afetadas.
A rápida decomposição dos cadáveres e a falta de espaço nas morgues levaram as autoridades nepalesas a iniciar sepultamentos de vítimas não identificadas em zonas florestais.
Antes dos sepultamentos, as autoridades recolhem amostras de ADN e registam a localização das campas, permitindo uma eventual identificação e exumação no futuro.
“Não tivemos outra opção e tivemos que dar esse passo. A nossa preocupação era o risco para a saúde pública causado pela rápida decomposição dos corpos”, explicou Ganesh Aryal, responsável distrital de Chitwan, citado pela Reuters.
Num necrotério temporário em Bharatpur, cerca de 125 corpos estavam no chão, apesar de a instalação ter capacidade para apenas 50.
“Os corpos estão a deteriorar-se rapidamente”, afirmou o inspetor Anil Thapa. Segundo o responsável, mais de metade dos cadáveres recuperados já não permite uma identificação visual.
A Índia enviou uma equipa forense para apoiar a análise de ADN, enquanto o Nepal mantém também contactos com uma equipa chinesa.
Portugal acompanha igualmente a situação. O Ministério dos Negócios Estrangeiros tinha indicado seis portugueses desaparecidos no Nepal, mas três foram, entretanto, encontrados com vida.
O Nepal intensificou este domingo as operações de resgate para alcançar trabalhadores que poderão estar presos em túneis de projetos hidroelétricos, quatro dias depois das cheias que atingiram a região montanhosa junto à fronteira com a China.
O exército nepales transportou por helicóptero maquinaria pesada para a barragem em construção de Upper Trishuli, onde as autoridades acreditam que cerca de 350 pessoas poderão estar presas num túnel.
Cerca de 10 mil soldados nepaleses participam nas operações de resgate, apoiados por especialistas da China e da Índia.
“É muito difícil porque há muitos destroços e não podemos explodir coisas para atravessar”, explicou Dharam Raj Uprety, responsável pela autoridade nacional de gestão de desastres do Nepal.
As operações decorrem em cinco projetos hidroelétricos, depois de a enxurrada de gelo, rochas e detritos ter destruído infraestruturas e afetado cerca de 10% da capacidade de produção de energia do Nepal.