Raimundo critica "propaganda" do PM que "nas entrelinhas" se prepara para atacar professores
- 30/08/2026 16:21
- Redação
Em declarações aos jornalistas, durante uma visita à Feira de Agosto, em Grândola, o líder comunista afirmou que Luís Montenegro não conseguiu repetir o “hit deste verão”, numa referência à promessa de entrada na REN e à consequente descida dos preços da eletricidade.
Para Paulo Raimundo, porém, a principal questão do discurso de Montenegro ficou “nas entrelinhas” e está relacionada com a alteração da carreira docente.
“No meio de todas aquelas promessas, daquela propaganda, a questão grossa que ficou nas entrelinhas chama-se a alteração da carreira docente dos professores”, acusou.
“A questão grossa é a alteração da carreira docente dos professores, tal e como nós sempre alertámos”, reforçou.
O secretário-geral do PCP considerou que, por detrás das promessas apresentadas pelo primeiro-ministro, existe uma intenção concreta de “atacar diretamente os professores e a sua carreira docente”.
“Fez aquilo que faz melhor, propaganda, ilusão, venda de promessas e uma linha concreta, neste caso, de atacar diretamente os professores e a sua carreira docente”, afirmou.
Paulo Raimundo deixou ainda um desafio direto ao Executivo: “O Governo que se atreva, eu volto a dizer, que se atreva”, afirmou, lembrando que o Governo “já foi derrotado” no pacote laboral.
O líder comunista alertou que o Executivo PSD/CDS-PP “está com muita pressa, mas vai dar um passo maior que a perna” se avançar com alterações à carreira dos professores.
Raimundo recordou ainda o episódio de 2015, quando o então Governo tentou reduzir a Taxa Social Única (TSU) para as entidades empregadoras.
“Começou a cavar a sua derrota política e social e vai fazer o mesmo”, afirmou.
O secretário-geral do PCP defendeu também que a responsabilidade pela atual política não é apenas do Governo, apontando igualmente à oposição, nomeadamente ao PS, por ter viabilizado o anterior Orçamento do Estado e, segundo Raimundo, aparentar estar disponível para repetir a decisão.
Questionado sobre a moção de censura anunciada pelo Chega caso o primeiro-ministro não resolva a situação do ministro da Administração Interna, Luís Neves, Paulo Raimundo desvalorizou a iniciativa.
Para o líder comunista, o partido de André Ventura é “só conversa” e “muita demagogia”, acusando-o de considerar que “o único problema que o Governo tem é um ministro em concreto, tudo o resto está bem”.