O futuro dos universitários na era da IA

O futuro dos universitários na era da IA

  • 31/08/2026 01:30
  • Redação

A semana passada a Católica-Lisbon SBE acolheu os novos alunos da Classe de 2026 dos Mestrados – 800 estudantes dos quais 75% são internacionais, uma geração talentosa oriunda de mais de 50 países que escolheram a Católica e Lisboa para desenvolverem as suas competências humanas e profissionais.

Esta segunda-feira acolhemos também 400 novos alunos de licenciatura, dos quais metade entrou nas licenciaturas internacionais em Administração de Empresas, Economia e no novo programa em Gestão e Análise de Dados. Este é também um grupo de excecional talento, escolhido entre mais de 1000 candidatos de 50 países, tendo a Católica-Lisbon SBE concedido 150 bolsas de mérito, muitas das quais integrais. Começa esta semana para todos estes alunos o sonho universitário!

No entanto, há quem questione o valor da educação superior na era da Inteligência Artificial (IA) e ponha em causa as perspetivas futuras desta geração de jovens universitários. Os argumentos são de que a IA substitui essencialmente os empregos de início de carreira pelo que estes jovens terão dificuldades de colocação no mercado de trabalho. Além disso, o valor do trabalho será muito inferior ao que era no passado, pois a IA automatiza muitas funções, pelo que os salários tenderão a estagnar. Assim, o argumento é que não se justifica uma educação superior e os jovens deveriam apostar em qualificações mais técnicas e práticas.

Penso que estes argumentos estão errados. A IA é uma extraordinária ferramenta com potencial para aumentar a produtividade do trabalho e, como tal, tornará o trabalho mais valioso e melhor remunerado pois criará maior valor acrescentado. Como exemplo, o controlador da máquina na fábrica ganha mais do que o operário da fábrica. Poderão dizer que há menos controladores do que operários. É verdade, mas também há todos aqueles que desenham e constroem e instalam as máquinas, bem como aqueles que vendem e prestam serviços aos produtos comercializados. Se de facto a IA tiver o impacto na produtividade que se espera, irá aumentar o valor do trabalho.

E penso que esta geração de universitários terá forte procura no mercado de trabalho. As melhores pessoas para adotarem a IA são aqueles que cresceram e aprenderam a pensar e trabalhar com estas novas ferramentas. Quem esteve durante 20 anos a fazer o seu trabalho de uma certa maneira terá mais dificuldade a integrar as ferramentas de IA nos seus processos produtivos. Dessa forma as empresas irão privilegiar os mais jovens pois serão os mais ágeis e capazes de inovar. Adicionalmente, as ferramentas de IA irão permitir o aparecimento de uma vaga de start-ups que operam de forma automática através de agentes operados por IA. É a chamada economia agentica. Isto está a criar um tipo de organizações que são muito mais eficientes e irão gerar disrupção em mercados estabelecidos. As novas gerações de universitários estão idealmente colocadas para serem os empreendedores que levam a automação baseada em IA a diferentes nichos de mercado.

A experiência universitária é assim mais importante que nunca para a formação dos jovens. Numa era de rápidos avanços tecnológicos, em que o conhecimento está disponível para todos e a “máquina” consegue organizar esse conhecimento e parecer “inteligente”, só terá sucesso quem conseguir levar as suas capacidades cognitivas e relacionais a um patamar diferente. Aqueles que melhor souberem usar a IA para alavancar as suas competências e souberem interpretar o conhecimento que a IA gera, agindo sobre ele de forma eficaz e ética, serão os profissionais mais procurados e com mais sucesso no futuro. Serão também os empreendedores mais disruptivos.

Obviamente que as universidades não têm o monopólio destas competências, mas têm um contexto privilegiado para as desenvolver por estarem imersas num mundo de conhecimento e aprendizagem em comunidade. Os anos de Universidade são anos formativos para que os jovens adultos se tornem cidadãos conhecedores e conscientes, profissionais qualificados com as melhores competências e ferramentas, e capazes de usar o conhecimento e mobilizar para a ação. Na essência, seres mais humanos, capazes de perceber o seu contexto, integrar o conhecimento, empatizar, comunicar e fazer as escolhas certas. Ironicamente, na era do artificial e do digital, teremos de nos tornar mais humanos e relacionais para sermos felizes e termos sucesso.

Teremos também de nos tornar mais abertos ao mundo e menos fechados sobre nós próprios. Neste campo, as universidades públicas portuguesas ainda têm um caminho longo a percorrer. A educação é hoje cada vez mais aberta e global e o ensino superior português tem de continuar a internacionalizar-se e a servir o mercado global, atraindo o melhor talento mundial de forma a melhor servir também os alunos nacionais.

A área da Gestão começou este processo de internacionalização há 20 anos motivada pelo pioneirismo da Católica-Lisbon SBE, e conta já com seis Escolas nacionais presentes nos rankings mundiais. Na área da investigação em vários domínios científicos como a gestão, as ciências exatas, da saúde e as engenharias, as universidades portuguesas já dão cartas a nível mundial. Em torno das Escolas de engenharia e de gestão geram-se polos de retenção de talento e de empreendedorismo com foco global. Estes são exemplos claros do sucesso que Portugal consegue ter quando as suas instituições se abrem ao mundo, atraem o melhor talento, e servem o mercado global, competindo e colaborando com os melhores.

Inicia-se esta semana um novo ano académico. Parabéns aos novos alunos do ensino superior que têm um enorme potencial pela frente. Desejo a todos uma experiência universitária enriquecedora, humana e feliz.

  • Fonte: Rádio Renascença
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