Sánchez iliba Marrocos da crise migratória em Ceuta
- 31/08/2026 04:36
- Redação
O chefe do Governo de Espanha, Pedro, Sánchez, afasta o envolvimento de Marrocos no fluxo migratório para Ceuta e acusa a extrema-direita de desinformação.
"Nenhum serviço de inteligência com o qual o governo espanhol normalmente coopera lança qualquer dúvida, ou melhor, sugere qualquer dúvida sobre o envolvimento, de uma forma ou de outra, das autoridades marroquinas", disse Sanchez, numa entrevista concedida na manhã desta segunda-feira à rádio Cadena Ser.
"Se não houvesse cooperação com Marrocos, esta crise não se solucionava. Pelo contrario, agravava-se", enfatizou o primeiro-ministro espanhol.
De seguida, Sánchez apontou baterias à Rússia, a Israel e à extrema-direita internacional, que acusa de terem disseminado e amplificado desinformação relacionada com a entrada em Ceuta de migrantes.
Citando um inquérito do Serviço Europeu de Acção Externa, o presidente do governo espanhol disse ser "evidente" que os dois países usaram a crise para criticar o Governo espanhol, uma vez que divergem de Madrid em relação à sua posição sobre as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente.
"Após 30 e 31 de julho, rumores e desinformação começaram a circular nas redes sociais ligados tanto à Rússia quanto a Israel, assim como à extrema-direita internacional, que sempre usa a migração não apenas para atacar a Espanha, mas também para atacar a Europa e dividi-la", disse.
Noutra fase da entrevista, Sánchez anunciou que o governo aprovará já amanhã uma expansão extraordinária de 168 milhões de euros de um plano económico já em curso, destinado a "reativar" a economia de Ceuta, equivalente a 8% do PIB da cidade.
As medidas incluem uma redução de 75% nas contribuições dos empresários para a Segurança Social em Ceuta e Melilla em 2026 e 2027. A crise migratória alimentou o crescente descontentamento entre moradores locais e países membros da União Europeia, com confrontos envolvendo migrantes e protestos a exigir uma ação governamental mais forte.
Noutro momento, o chefe do Governo de Madrid reiterou que existem "argumentos e razões suficientes" para que o rei Felipe VI se desloque às cidades autónomas de Ceuta e Melilla, lembrando que nunca isso se verificou no atual reinado.
Ao ser questionado sobre o momento concreto em que poderia ocorrer a deslocação do mponarca aos dois exclaves, Sánchez limitou-se a referir que será "quando se derem as condições para isso". Mesmo assim, insistiu que "a visita será feita", embora tenha esclarecido que agora cabe ao Governo e à Casa Real coordenar e planear os detalhes da viagem.
O Presidente do Governo referiu também nesta entrevista que, se o PSOE quiser, está "disposto" a concorrer às eleições de 2027 "porque o projeto político progressista hoje é mais necessário do que nunca, para conter uma onda reacionária".
Para Sánchez, a alternância "é sempre boa". No entanto, "hoje, não temos uma proposta de alternância".
"Não apenas pela presença do Vox na equação, por mais que o Partido Popular tente esconder isso, mas também porque isso fez com que o PP fosse pressionado, o que fez da oposição destrutiva sua razão de ser", explicou Sánchez, que indicou que o PP quer revogar "as principais conquistas sociais" e também usar "farsas e desinformação para fazer oposição".
Noutro momento, o Presidente do Governo disse que os ex-presidentes do Governo são dedicados ao lobby "não só na Espanha, mas pelo mundo todo."
Assim, defendeu as ações do ex-presidente socialista José Luis Rodríguez Zapatero, suspeito de fraude fiscal, contrabando, tráfico de influência e branqueamento de capitais no processo de resgate da companhia aérea Plus Ultra, que obteve um "empréstimo" — e não um resgate — do governo de então, liderado por Zapatero, de 53 milhões de euros.
"Posso garantir que não foi um resgate, foi um empréstimo garantido por todas as instâncias judiciais. Eu defendo a presunção de inocência", sublinhou Sánchez, que reiterou o apoio "ao presidente Zapatero pela sua carreira e pelo seu legado".