Medalha em 2028 seria "cereja no topo do bolo", mas Pimenta pensa agora mais nas pessoas
- 31/08/2026 12:47
- Redação
Fernando Pimenta regressou esta segunda-feira à tarde ao Porto, vindo de Poznan, na Polónia, com duas medalhas de ouro conquistadas nos Mundiais de canoagem, nas provas de K1 1.000 e K1 5.000 metros, tendo sido recebido em grande à chegada ao aeroporto, por familiares e centenas de adeptos.
Aos 37 anos, Pimenta considerou que a temporada correu de forma tranquila, com uma fase final de preparação que lhe permitiu chegar à Polónia fisicamente bem e confiante.
"Consegui esta dobradinha", resumiu, destacando em particular o triunfo nos 1.000 metros, obtido em disputa renhida, e a superioridade que sentiu na prova de longa distância.
Questionado sobre a rotina de treinos, Pimenta lembrou que a preparação exige dedicação diária ao longo de todo o ano. "São sete dias por semana dedicados ao treino", afirmou, sublinhando que os momentos de festa como o desta tarde acabam por ser breves face ao esforço investido.
O atleta disse ainda ir buscar motivação aos objetivos de médio e longo prazo e às pessoas próximas, incluindo os filhos, recordando o impacto emocional que sentiu depois dos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
Sobre uma eventual medalha de ouro em Los Angeles 2028, o vencedor preferiu não antecipar resultados.
"Quero desfrutar do processo até lá chegar", disse, realçando que lidera atualmente o ranking de apuramento olímpico, à par do representante australiano.
Fernando Pimenta, admitiu que a motivação vai, hoje em dia, para lá dos pódios: "Uma terceira medalha seria a cereja no topo do bolo, mas sinceramente, já não me movo só pelas medalhas. Movo-me por causa das emoções que estou a conseguir criar nas pessoas, e isso é das coisas mais bonitas."
O atleta recordou ainda as condições adversas enfrentadas no início do ano, marcado por tempestades que danificaram árvores e telhados na região onde treina, obrigando-o a adaptar a preparação para continuar a treinar no rio.
"Não queríamos apresentar desculpas", afirmou, sublinhando o peso emocional de conciliar estágios longos e treinos exigentes com a vida familiar. Sobre os calos nas mãos resultantes do esforço, descreveu-os como "medalhas invisíveis que vão ficar".
Questionado sobre a atual geração da canoagem portuguesa, Pimenta destacou a longevidade da equipa nacional, recordando que iniciou o percurso internacional em 2005.