"Isto tem sido uma luta": alunos com necessidades especiais sem escola

"Isto tem sido uma luta": alunos com necessidades especiais sem escola

  • 31/08/2026 15:47
  • Redação

“Aguardar colocação”, é o que muitas famílias, por estes dias, leem no Portal das Matrículas. Duas palavras apenas que são suficientes para colocar encarregados de educação num grande estado de ansiedade “sem saber o que fazer, porque não há nada que informe sobre nada”, desabafa Tânia Costa, mãe de uma menina de 9 anos que vai frequentar o 4.º ano no próximo ano letivo.

Tem necessidades educativas específicas e, apesar de ter prioridade no acesso por ter um relatório técnico-pedagógico (RTP), a poucos dias do regresso às aulas, não tem colocação numa escola, na zona de Charneca de Caparica, no concelho de Almada.

Tânia Costa admite que não sabe o que pode fazer mais, porque é a primeira vez que está a passar por uma situação destas.

Esta mãe já fez inúmeros contactos, por escrito e por telefone, e queixa-se da falta de informação quando consulta o Portal das Matrículas.

“Só diz o nome da criança, o número da matrícula e a aguardar colocação e depois consigo abrir a matrícula e aí é que diz em que escola é que está o processo, só que nesta última escola, o processo já lá está há mais duas semanas”, relata Tânia Costa, que pede que o processo seja enviado “para a quinta opção para saber se lá têm vaga ou não” e encontrar rapidamente uma solução.

Elsa Marujo, mãe de um menino de 7 anos com perturbação do espetro do autismo, não conseguiu colocação em nenhuma das cinco opções, de agrupamentos de escolas, na zona do Cacém, no concelho de Sintra. Esta mãe escolheu apenas escolas com unidades especializadas, mas nenhuma porta se abriu.

Já fez inúmeros contactos junto do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), da autarquia e esteve na escola de primeira opção. Diz que já tentou “tudo e mais alguma coisa e respostas tenho zero”.

Também já fez queixa na Provedoria de Justiça, que “diz que só pode fazer alguma coisa, assim que comece a escola”.

Elsa Marujo confessa que, sem soluções, a “família sente-se perdida”, acrescentado, que “tem sido uma luta, porque trabalha por conta própria e não tem onde deixar o filho”.

Esta mãe, sem apoio familiar, receia o futuro. “Não pode deixar de trabalhar, porque tem de pagar as terapias e tudo o resto” e a indicação que tem é que “as unidades especializadas estão cheias”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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