João Duque: "Estamos mesmo condenados ao aumento das taxas de juros"

João Duque: "Estamos mesmo condenados ao aumento das taxas de juros"

  • 31/08/2026 16:51
  • Redação

O economista João Duque acha provável uma subida das taxas de juro, já no próximo mês, quando acontecer uma nova reunião do Banco Central Europeu (BCE).

“Estes sinais que estou a ler começam a indicar que o mais provável é nós termos más notícias futuramente, no curto prazo, provavelmente já em setembro, sobre a evolução das taxas de juro, porque se começamos de facto a constatar que há uma impregnação do custo da energia em todos os bens e serviços ao nível dos países europeus, aí estamos mesmo condenados ao aumento das taxas de juros para controlar o custo de vida”, afirma João Duque.

A escalada nos preços dos combustíveis fez subir a inflação para os 3,3%, em agosto, segundo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE). O valor representa mais 0,3 pontos percentuais em relação a julho.

Este aumento é explicado, quase na totalidade, pela nova subida do preço do petróleo como uma das consequências diretas do agravamento das tensões no Médio Oriente e dos constrangimentos no Estreito de Ormuz.

“Os fatores de produção, ao aumentarem muito o seu preço, acabam por ter um reflexo no preço dos produtos alimentares. Não podemos fugir, infelizmente, ao custo dos bens e da energia. Faz parte do nosso cabaz básico. A outros acresce as suas dívidas indexadas à taxa Euribor o que também está, de alguma maneira, relacionado com a inflação”, acrescenta João Duque.

De acordo com a síntese da execução orçamental, a redução é explicada pelo aumento da despesa, em especial, com o pagamento de dívidas vencidas do Serviço Nacional de Saúde. Do lado da receita fiscal explica-se pelas moratórias e pela isenção de pagamento de TSU para as empresas afetadas pelo comboio de tempestades.

João Duque refere que “o pagamento no âmbito do Serviço Nacional de Saúde não é recuperável porque são despesas que, se tivessem sido pagas na altura, tinham sido despesas nessa ocasião Neste caso aquilo que se fez agora foi repor aquilo que tinham sido encargos no passado".

"No caso das moratórias, aqui será um bocado diferente porque espera-se que isso venha a decorrer de uma reativação posterior das condições económicas em que as empresas depois possam fazer face com a sua atividade àquilo que são compromissos adiados face ao Estado. Esse saldo é recuperável”, sublinha.

No entender do economista, a situação nas finanças públicas aparenta estar relativamente controlada e regista, apesar de tudo, um saldo positivo. João Duque acredita que o ministro das Finanças tem instrumentos que lhe permitem chegar ao final do ano com um equilíbrio nas contas.

“Tendo em conta o ano que foi, e é importante percebermos que foi um ano em que houve um ataque à economia por via da inflação, um ataque às exportações portuguesas para os Estados Unidos por via das tarifas de Trump e da instabilidade que a administração de Trump nos trouxe, e ainda por cima, com as tempestades a que tivemos de fazer face, eu diria que este ano tinha muitas coisas para correr mal e o ministro das Finanças é capaz de chegar ao fim do ano e dizer que conseguimos, apesar de tudo, a sobreviver. Isso é muito importante”, aponta.

  • Fonte: Rádio Renascença
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