Guerra entre música e IA? Sony e Warner processam Anthropic por usar milhares de músicas para treinar Claude
- 31/08/2026 16:13
- Redação
Em causa, está o uso indevido de milhares letras de músicas e partituras de artistas tão populares e intemporais como Michael Jackson, The Beatles, Elvis Presley, Madonna, Prince, Beyoncé e até Mariah Carey.
Este campo de batalha entre música e IA está a ser discutido no tribunal federal da Califórnia, nos Estados Unidos da América (EUA), após a queixa apresentada na sexta-feira. Mas o que isto significa na prática?
Ao aceder a estas canções, o modelo de IA estuda e aprende padrões como, por exemplo, estruturas de frases, estilos e parâmetros gramaticais para conseguir dar melhores respostas que correspondam às necessidades dos utilizadores.
Isto não significa que armazene cada música como bibliotecas online, mas este modelo pode colocar em risco a proteção das obras dos artistas assinadas com as gigantes da indústria musical.
"Todo o modelo empresarial continua assente no roubo de obras protegidas por direitos de autor", defendeu a Sony e Warner na queixa acedida pela agência Reuters.
As editoras afirmam que o Claude pode "gerar grandes quantidades de letras de músicas supostamente 'novas' criadas por IA", prejudicando o mercado da música e respetivos artistas envolvidos.
Quando é pedido para que escreva poemas ou letras, o Claude "mistura excertos de diferentes músicas" protegidas e escreve baseando estilo de determinados artistas.
"O Claude chega mesmo a copiar e distribuir as letras das Editoras Musicais quando tal não lhe é solicitado", alegam.
Os autores da acusação afirmam ser vítimas de "um dos maiores e mais flagrantes roubos continuados de propriedade intelectual da história".
Porém, este não é o primeiro caso judicial entre editoras musicais e a Anthropic: a Universal Music Group, Concord Music Group e outras avançaram, em outubro de 2023 e no início deste ano, com ações judiciais pela utilização de letras de mais de 500 canções protegidas.