Equipas do Nepal procuram centenas de pessoas presas em túneis de centrais hidroelétricas
- 31/08/2026 17:47
- Redação
Com o apoio de especialistas chineses e indianos, os operacionais estão a desenterrar da lama centenas de vítimas, à medida que se vão decompondo com o passar do tempo devido ao tempo húmido nas planícies dos Himalaias.
Mais de 900 pessoas morreram e quase cinco mil continuam desaparecidas na sequência das cheias que atingiram a fronteira entre o Nepal e o Tibete, segundo os últimos dados oficiais das autoridades.
Destes, cerca de 590 cidadãos estrangeiros de 39 países continuam desaparecidos, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) do Nepal.
Após terem sido arrastados pela lama, os corpos, alguns despedaçados, estão a ser empilhados em carrinhas para depois serem eventualmente identificados.
As operações de resgate contam com mais de 900 trabalhadores distribuídos em 11 projetos hidroelétricos do país, principalmente nos dois distritos mais afetados, Rasuwa e Nuwakot.
Fotografias e vídeos divulgados pelas equipas de salvamento mostravam maquinaria pesada a escavar e a remover lama e rochas sob a iluminação da noite.
Para aceder a algumas áreas, o exército nepalês está a utilizar explosões controladas, escavadoras e holofotes para remover água e lama e chegar às pessoas presas.
Depois de retirar "uma enorme quantidade de detritos", "o nosso principal objetivo é abrir os túneis", afirmou o porta-voz do Exército nepalês, Raja Ram Basnet.
Os projetos hidroelétricos registaram um forte crescimento no Nepal desde a viragem do século, à medida que o país montanhoso procurou tirar partido dos seus recursos hídricos dos Himalaias para fazer face à crónica escassez de eletricidade e explorar as possibilidades de venda de energia ao seu vizinho do sul, a Índia.
Os projetos hidroelétricos nas montanhas do Nepal necessitam de túneis para transportar água através do terreno íngreme, permitindo aos promotores aproveitar a grande diferença de altitude entre os rios dos Himalaias e as centrais elétricas para produzir eletricidade.
Pelo menos 90 mil pessoas foram afetadas pelas cheias, sendo 17 mil destas crianças, segundo uma estimativa da Cruz Vermelha Internacional e da Organização das Nações Unidas (ONU).
As cheias repentinas foram provocadas por uma enorme quantidade de água, lama, gelo e detritos que desceram das zonas montanhosas dos Himalaias, devastaram várias localidades e provocaram graves danos em estradas, pontes, habitações e infraestruturas hidroelétricas.