EUA convidam Rússia para reunião do G20, irritam ministros e impedem acesso a alguns jornalistas
- 31/08/2026 20:04
- Redação
A reunião de dois dias, em Asheville, na Carolina do Norte, decorre num momento em que a economia mundial está a ser afetada por um choque energético desencadeado pela guerra no Irão, enfrenta tensões crescentes devido ao enorme excedente comercial de bens da China e aguarda para perceber como irá evoluir, em última análise, o aumento do investimento em inteligência artificial (IA).
No início deste ano, a dívida mundial atingiu um recorde de quase 353 biliões de dólares, suscitando preocupações quanto à estabilidade financeira e levando alguns investidores a reavaliar até ativos tradicionalmente considerados refúgios seguros, como os títulos do Tesouro dos EUA.
"O mundo está inundado em dívida depois da crise financeira global, depois da COVID-19, e a única forma de sairmos desta situação é crescermos para sair dela", afirmou o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, no início da reunião, referindo-se à crise financeira mundial de 2007-2009.
"Estou confiante de que muitos dos líderes estão muito recetivos a esta ideia", acrescentou.
Quando Bessent abriu a reunião, alguns ministros ficaram surpreendidos e consternados ao ver o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, sentado à mesa do G20. Foi a primeira vez que participou presencialmente no fórum desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.
Siluanov também realizou uma reunião bilateral com Bessent, que abordou a cooperação financeira no âmbito do G20, informou o Ministério das Finanças da Rússia.
O ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, afirmou que a Europa estava a preparar um novo pacote de sanções contra a Rússia, mas que a presença de Siluanov na reunião de Asheville enviava um sinal "bastante preocupante" relativamente à cooperação dos EUA com esse esforço.
"Teria desejado maior clareza por parte dos Estados Unidos de que ele não deveria ser recebido aqui como um convidado normal", afirmou Klingbeil.
Responsáveis europeus disseram também que se opunham a aparecer na tradicional "fotografia de família" dos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais do G20, acrescentando que a fotografia acabou por ser tirada sem o ministro das Finanças russo.
A sua presença contrasta fortemente com abril de 2022, quando até a sua participação virtual numa reunião do G20 em Washington provocou uma ampla condenação da invasão russa da Ucrânia e levou vários responsáveis a abandonar a reunião, incluindo representantes dos EUA, do Reino Unido, do Canadá e do Banco Central Europeu.
Outra questão que suscitou críticas foi a decisão do Tesouro dos EUA de negar credenciais de imprensa a determinados jornalistas que pretendiam cobrir o evento, incluindo equipas da Bloomberg News e jornalistas específicos do New York Times e do Wall Street Journal.
"Acredito que a imprensa tem um interesse perfeitamente legítimo em noticiar de forma aberta e livre esta cimeira do G20", afirmou o ministro alemão. "Considero inaceitável que jornalistas ou equipas editoriais inteiras sejam excluídos."
Um porta-voz do Tesouro dos EUA afirmou que mais de 300 profissionais dos meios de comunicação social estavam a cobrir o evento, incluindo outro jornalista do New York Times, e que o acesso implica uma "responsabilidade de divulgar informação factual em conformidade com os padrões jornalísticos estabelecidos".