Costa portuguesa recebe o maior exercício mundial de drones militares

Costa portuguesa recebe o maior exercício mundial de drones militares

  • 01/09/2026 01:30
  • Redação

Começou há 16 anos nas águas portuguesas entre o cabo Espichel e Sines, numa área superior a 400 milhas náuticas, o equivalente a 1.370 quilómetros quadrados. O REPMUS 2026 realiza-se até dia 25 de setembro.

Primeiro com uma vertente académica, depois científica, de seguida industrial, operacional, e depois também de alianças juntando a NATO e a Agência de Defesa da União Europeia, coorganizadora do exercício REPMUS- Robotic Experimentation and Prototyping with Maritime Unmanned Systems.

O comandante Luís Quaresma dos Santos, chefe de Divisão de Inovação e Transformação do Estado Maior da Armada, fala no “maior exercício do mundo na área da experimentação de sistemas não-tripulados de emprego operacional no domínio marítimo”.

O REPMUS 2026 decorre em colaboração com a NATO e com a Universidade de Engenharia do Porto, através do centro de experimentação na área submarina e indústria de defesa empenhada em desenvolver, e acelerar, desenvolvimento desta tecnologia pronta para combate.

São 25 os países participantes. “Destaco, além dos que pertencem à União Europeia, o Canadá, a Ucrânia, Reino Unido, Turquia e Colômbia”, todos trazem programas e tecnologia na área militar, indica o comandante Luís Quaresma dos Santos.

No terreno há vários exercícios: “A área da guerra de minas, onde nós empregamos estes meios para tentar detetar a ameaça de minas, temos outra área que é a guerra anti-submarina, ou seja, a possibilidade destes meios estarem permanentemente em vigilância e detetar a presença de submarinos numa determinada área”.

O comandante Luís Quaresma dos Santos revela que “temos também veículos que fazem monitoração ambiental, que vão caracterizar o campo de batalha, por assim dizer, de forma a que essa informação seja depois utilizada no planeamento das operações, temos as comunicações, temos os sistemas de comando e controlo, a interoperabilidade entre os sistemas”.

Está, por isso, reunida uma comunidade académica, científica, operacional e industrial, em torno de diferentes desafios por forma a desenvolver sistemas cada vez mais proficiente em ambientes operacionais.

O exercício acontece entre o Cabo Espichel e Sines, traz a Portugal a marinha de 25 países, 11 nações observadoras e mais de três mil pessoas inscritas.

“Há veículos submarinos, outros que operam à superfície da água, aéreos e veículos terrestres com capacidade anfíbia projetados da terra para o mar.”

Para melhorar a segurança e defesa costeira e marítima procura-se desenvolver “tecnologia e sistemas, plataformas sensores, que possam integrar sistemas de armas, não só para a capacidade de ataque, mas sobretudo pensa-se na operabilidade e capacidade desses sistemas ocuparem espaços que não tinham até agora”, explica.

O chefe de Divisão de Inovação e Transformação do Estado Maior da Armada afirma que “face à gigantesca área de responsabilidade de Portugal, para controlar este espaço tão grande, por muitos meios navais que existam são sempre insuficientes e é preciso multiplicar a força naval com sistemas não-tripulados”.

Revela mesmo que a Marinha “está a renovar toda a esquadra e um dos requisitos é a capacidade dos novos navios integrarem sistemas não tripulados para serem multiplicadores da força naval”.

Para apoiar o exercício vão estar vários navios militares na área, é por isso de esperar que nestes dias sejam observados drones, veículos à superfície. Durante três semanas há muita atividade prevista.

O comandante Luís Quaresma dos Santos lembra que “a Marinha Portuguesa é destacada como inovadora e precisa, por isso, de mão de obra qualificada, de diferentes competências da área técnica e técnica superior, um exercício que serve para trazer os jovens a conhecerem uma nova realidade e a abraçarem este desafio de poderem operar tecnologias de ponta”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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