Quem matou Tupac Shakur? Quase 30 anos depois, há um condenado pelo homicídio
- 01/09/2026 06:33
- Redação
Quase 30 anos depois, há culpado pelo homicídio do rapper Tupac Shakur. Duane "Keffe D" Davis, antigo membro de um gangue de Los Angeles, foi condenado pelo crime de "homicídio qualificado com uso de arma letal", depois de ter sido acusado de encomendar o assassinato da lenda do rap e providenciar a arma do crime, em setembro de 1996.
A deliberação aconteceu durante quase três horas, num tribunal no condado de Clark, no Nevada, colocando um fim ao julgamento de 11 dias em Las Vegas. A sentença e o tempo de prisão apenas serão conhecidos no dia 13 de outubro, mas Duane Davis poderá ser condenado à pena máxima de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
O norte-americano de 63 anos, antiga figura dos South Side Compton Crips, um gangue de um bairro de Los Angeles, já avançou que tenciona recorrer da decisão.
A morte de Tupac Shakur continua envolta em polémica 30 anos depois. Em causa estaria uma guerra aberta entre duas editoras discográficas, a Death Row Records, à qual pertencia Tupac, e a Bad Boy Records, fundada por Sean "P. Diddy" Combs, com gangues rivais a garantirem a proteção dos seus artistas.
Segundo a tese de acusação do procurador Binu Palal, o homicídio foi uma retaliação pela agressão ao sobrinho de Duane Davis, Orlando Anderson, que, segundo o código de respeito dos gangues de rua, não podia deixar passar em branco.
"Então o que fez? Arranjou uma arma, reuniu o seu grupo e foi à caça do senhor Shakur", referiu a acusação.
Segundo a polícia, Davis era suspeito do crime há muito tempo, mas não havia provas suficientes para o acusar, até o próprio começar a falar publicamente sobre o caso, em aparições nos meios de comunicação e através de um livro de memórias.
Já o advogado de Davis, Michael Sanft, disse aos jurados que as histórias contadas pelo seu cliente não tinham provas e que o seu livro não deveria ser considerado credível.
"Estão a ler um livro que é ficção, e não factos, mas o Estado quer que acreditem que isto é, de alguma forma, uma confissão", referiu, citando o livro de memórias de Davis, publicado em 2019, Compton Street Legend.
Davis e outros três homens, incluindo o sobrinho, foram procurar Shakur e o seu empresário e executivo discográfico, Marion "Suge" Knight, num Cadillac branco, na noite da agressão, a 13 de setembro de 1996, contou Davis à polícia durante uma investigação não relacionada com este caso. Davis afirmou ter passado uma arma para o banco de trás e que, quando encontraram o carro onde seguiam Knight e Shakur, um dos dois homens sentados atrás abriu fogo.
Os procuradores não identificaram o autor dos disparos, e os outros três homens que seguiam no carro morreram entretanto. Ao abrigo da lei do Nevada, Davis pode ser acusado de homicídio mesmo que não tenha sido ele a puxar o gatilho.
Davis era um líder dos South Side Compton Crips, um gangue da zona de Los Angeles que mantinha uma rivalidade com o grupo Mob Piru, associado a Shakur e à sua editora discográfica, a Death Row Records.
O homicídio de Shakur, em 1996, tornou-se um momento marcante na história do rap e contribuiu para reforçar a imagem violenta associada à cultura hip-hop durante o auge do «gangsta rap», uma era marcada pelas rivalidades entre artistas das costas Este e Oeste dos Estados Unidos.