Morreu Édouard Balladur, antigo primeiro-ministro francês. Tinha 97 anos

Morreu Édouard Balladur, antigo primeiro-ministro francês. Tinha 97 anos

  • 01/09/2026 08:39
  • Redação

O antigo primeiro-ministro Édouard Balladur morreu, esta segunda-feira, dia 31 de agosto, em Paris, França, aos 97 anos. A notícia foi avançada pela família à Agence France-Press (AFP).

Na altura, durante a campanha, Balladur esteve envolvido em suspeitas de financiamento ilícito. O Tribunal de Justiça da República viria a absolvê-lo 26 anos depois, em março de 2021.

Édouard Balladur foi acusado de ter financiado parcialmente a campanha eleitoral de 1995 através de propinas ilegais pagas em conexão com grandes contratos de armamento com o Paquistão.

"Observo com satisfação a decisão do Tribunal de Justiça da República que, finalmente, reconhece a minha inocência", referiu, na altura, num comunicado.

Balladur continuou como membro do parlamento francês até 2007. No entanto, depois da derrota nas eleições presidenciais, o ex-primeiro-ministro nunca conseguiu voltar a ocupar uma posição de destaque no cenário político nacional.

Nas eleições presidenciais de 2022, Édouard Balladur apoiou publicamente a candidata republicana Valérie Pécresse.

De origem arménia — nascido em 1929 em Izmir, na Turquia, e tendo-se mudado para França em 1935 — e formado na prestigiada ENA (Escola Nacional de Engenharia de França), Balladur iniciou a sua carreira nos altos escalões do Estado como colaborador próximo do presidente Georges Pompidou entre 1969 e 1974.

Aos 35 anos, Édouard Balladur juntou-se à equipa de Georges Pompidou, então primeiro-ministro de Charles de Gaulle. Durante os acontecimentos de Maio de 1968, uma revolta estudantil seguida de uma greve geral maciça, participou, ao lado de Jacques Chirac, nos Acordos Grenelle, assinados entre os sindicatos e o governo.

Acompanhou o seu mentor, que se tornara Presidente da República, até ao Palácio do Eliseu como secretário-geral adjunto e, mais tarde, como secretário-geral da Presidência

Mais tarde, Jacques Chirac, então presidente do partido de direita RPR, recrutou-o para regressar à política na década de 1980.

Em 1988, François Mitterrand foi reeleito para o seu segundo mandato como Presidente da República, e a direita perdeu as eleições legislativas.

A direita vingou-se cinco anos depois, nas eleições legislativas de 1993, forçando o presidente socialista a mais um período de coabitação.

Como líder da direita, Jacques Chirac não tinha qualquer desejo de regressar ao cargo de primeiro-ministro e, por isso, cedeu-o a Édouard Balladur.

Este último tornou-se um primeiro-ministro popular. Com o apoio da maioria da população e de uma parte da direita francesa (incluindo Nicolas Sarkozy, o jovem ministro do Orçamento e futuro presidente), anunciou a sua candidatura à eleição presidencial em janeiro de 1995.

  • Fonte: Rádio Renascença
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