"A água é um direito, não uma mercadoria", lembra o Papa

"A água é um direito, não uma mercadoria", lembra o Papa

  • 01/09/2026 11:58
  • Redação

O Papa dedica a sua intenção de oração do mês de setembro ao cuidado da água, com alertas para as desigualdades que persistem no acesso a um bem que devia ser universal.

No vídeo, divulgado pela Rede de Mundial de Oração do Papa, Leão XV pede que todos possam transformar-se em "peregrinos do essencial, capazes de viver com sobriedade, denunciando o desperdício e a contaminação".

Leão XIV começa por agradecer o "dom da água", que é "fonte de fecundidade" e de "esperança", e que deve ser cuidado "com gratidão, justiça e responsabilidade".

“Pedimos-te perdão porque fizemos dela mercadoria, esquecendo que é um presente universal, um direito sem fronteiras, destinado a todos os teus filhos. Com dor vemos tantos irmãos e irmãs sem acesso a água potável, que caminham quilómetros para a encontrar, e que adoecem por causa da sua escassez", sublinha o Papa.

A mensagem é conhecida no Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que a Igreja assinala esta terça-feira, e que marca o início do chamado 'Tempo Ecuménico da Criação', que une várias igrejas cristãs, até 4 de outubro, Festa litúrgica de São Francisco de Assis, cuja ligação à natureza faz dele o Santo padroeiro dos animais e da ecologia.

O Vatican News cita dados oficiais para mostrar a urgência do alerta do Papa: segundo o relatório "Progressos em relação à água potável, saneamento e higiene', do Programa Conjunto de Monitorização da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), apresentado em agosto de 2025, "mais de 2,1 mil milhões de pessoas continuam sem ter um acesso seguro à água potável" - ou é "insuficiente" ou "intermitente", "demasiado dispendioso" ou fica "a grande distância".

O relatório diz que 106 milhões de pessoas ainda "dependem diretamente de rios, lagos ou outras águas superficiais sem tratamento". O acesso melhorou, entre 2015 e 2024 – subiu de 68% para 74% –, mas para que haja um acesso universal até 2030, os países de baixo rendimento "terão de progredir a um ritmo sete vezes superior ao atual".

O documento lembra que "a falta de água potável está também ligada à ausência de saneamento e de higiene", e 3,4 mil milhões de pessoas ainda "não dispõem de saneamento gerido de forma segura", 1,7 mil milhões carecem de serviços básicos de higiene em casa e 611 milhões não têm qualquer instalação para lavar as mãos, estimando-se que, por ano, mais de 1 milhão e 400 mil mortes estejam associadas à água insegura e à falta de saneamento.

  • Fonte: Rádio Renascença
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