Alemanha culpa Rússia por ataque em Leipzig, Portugal manifesta "total solidariedade"
- 01/09/2026 11:54
- Redação
O ministro alemão do Interior responsabiliza a Rússia pelo ataque falhado com drones contra o aeroporto de Leipzig-Halle. O Governo português manifesta "total solidariedade" com as autoridades de Berlim.
"Partimos do princípio de que a Alemanha é alvo de novos ataques híbridos por parte da Rússia", afirmou Alexander Dobrindt, numa declaração à comunicação social.
Esta ação faz parte da guerra híbrida levada a cabo por Moscovo contra alvos na Europa, indicou a mesma fonte.
Em resposta ao ataque em Leipzig, o Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão vai ordenar o encerramento do consulado da Rússia em Bona e da Casa da Rússia em Berlim.
O primeiro drone, com explosivos, foi encontrado a 4 de agosto junto a um avião de carga Antonov ucraniano utilizado no transporte de material militar.
Cerca de 20 minutos depois, um segundo drone poderá ter colidido com um avião de carga da DHL, obrigando a aeronave a interromper a aterragem e a ser desviada para Marselha.
As autoridades alemãs encontraram, a 14 de agosto, um terceiro drone num campo em Kabelsketal, município que faz fronteira com a zona ocidental do aeroporto de Leipzig.
Numa primeira reação, a NATO garante que continuará a reforçar a sua capacidade de dissuadir e defender os seus aliados contra qualquer ameaça, na sequência da recente tentativa de ataque com drones em Leipzig, afirmou esta terça-feira o secretário-geral da organização, Mark Rutte.
“A NATO manifesta a sua total solidariedade para com a Alemanha na sequência do ataque híbrido russo em Leipzig, a 14 de agosto”, escreveu Rutte numa publicação na rede social X.
Entretanto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que irá discutir na quarta-feira com o secretário-geral da NATO a recente tentativa de ataque com drones em Leipzig, atribuída à Rússia pelas autoridades alemãs.
Numa publicação na rede social X, von der Leyen acrescentou que os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia irão preparar uma resposta à situação na sua próxima reunião.
Ursula von der Leyen referiu ter falado hoje de manhã com o chanceler alemão, Friedrich Merz: "Garanti-lhe que a União Europeia está plenamente solidária com a Alemanha perante este ataque levado a cabo pela Rússia".
A presidente da Comissão Europeia afirmou que a União Europeia se vai manter "unida, apesar destes atos graves e cada vez mais intensos", e saudou as "medidas firmes" tomadas pelo Governo alemão para responder ao incidente.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, manifestou também "total solidariedade para com a Alemanha" e condenou "com a maior veemência possível a tentativa de ataque com drones perpetrada pela Rússia".
"A Rússia deve pôr fim à sua guerra de agressão contra a Ucrânia, em vez de a intensificar", defendeu António Costa, afirmando que "a UE continua forte e unida e a Rússia não prevalecerá".
O Presidente francês, Emmanuel Macron, vai mais longe e defende uma nova vaga de sanções contra a Rússia.
“Temos de estar unidos no apoio à Ucrânia. A França continuará a desempenhar plenamente o seu papel”, afirmou Emmanuel Macron numa publicação na rede social X.
Por seu lado, o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, expressou "total solidariedade" de Portugal à Alemanha após o ataque híbrido ocorrido em Leipzig em agosto pelo qual o Governo alemão responsabilizou a Rússia.
"Expressamos total solidariedade à Alemanha em face do ataque híbrido russo em Leipzig. A unidade de todos os Aliados é um pilar essencial da nossa segurança coletiva e não vacilaremos na sua defesa, tal como não hesitaremos na denúncia dos que nos tentam dividir", escreveu Luís Montenegro na rede social X.
"A nossa determinação não falhará na defesa da Ucrânia. Estamos unidos com a Alemanha e demais aliados em prol dos valores da paz, da segurança e da liberdade", acrescentou o chefe do Governo.
A rede elétrica do estado alemão de Brandemburgo foi alvo de sabotagem esta terça-feira, depois de dispositivos incendiários não detonados terem danificado linhas elétricas, afirmou o ministro do Interior do estado.
A subestação de Turnow-Preilack é um dos nós de alta tensão mais críticos da região, ligando a maior central elétrica de Brandemburgo, em Jänschwalde, à rede de transporte da 50Hertz.
Foram disparados foguetes contendo um material condutor contra linhas de muito alta tensão, provocando dois curto-circuitos, afirmou o ministro do Interior, Jan Redmann, em conferência de imprensa.
Acrescentou que as autoridades estavam a realizar buscas no local e que o número de dispositivos encontrados, já na casa das dezenas, continuava a aumentar.
Redmann não excluiu a possibilidade de potências estrangeiras estarem por detrás do ataque, nem afastou o envolvimento de ativistas de esquerda, que estiveram envolvidos em ataques anteriores contra infraestruturas elétricas.
Segundo o ministro, os foguetes tinham sido concebidos especificamente para este fim e eram diferentes dos habituais fogos de artifício festivos, sendo necessária uma preparação considerável para os instalar.
Registou-se um breve corte de eletricidade, mas todas as linhas elétricas já voltaram a estar operacionais e o abastecimento geral de eletricidade nunca foi afetado, afirmou o operador da rede, 50Hertz, em comunicado.
Adi Roesch, diretor executivo da LEAG, empresa responsável pela operação da central elétrica, afirmou que o ato provocou a paragem automática de uma das unidades da central, que deveria voltar a funcionar até ao final da tarde de terça-feira.