"A Rússia está numa guerra híbrida contra a Europa"

"A Rússia está numa guerra híbrida contra a Europa"

  • 01/09/2026 18:53
  • Redação

A Alemanha, que esta terça-feira responsabilizou a Rússia por ataques falhados contra um aeroporto em Leipzig, deu uma resposta política firme e importante à guerra híbrida levada a cabo por Moscovo contra a Europa, afirma Miguel Baumgartner, especialista em assuntos internacionais.

Miguel Baumgartner dá o exemplo de ações de "sabotagem, interferências em eleições, financiamento de partidos radicais, distribuição de fake news, interferências com sistemas bancários e sistemas informáticos, a situação da possibilidade do corte dos cabos submarinos, e já para não falar do sobrevoo de espaço aéreo e, de muitas vezes, também da entrada no espaço marítimo".

"Dito isto, é importante que a Alemanha tenha tomado esta decisão”, sublinha.

Para além do encerramento do consulado russo em Bona, Miguel Baumgartner aponta outras medidas que considera duras contra a Rússia e a favor de um equilíbrio político na Europa.

“Vai encerrar também, em Berlim, aquilo que é conhecido como a Casa da Rússia, que sempre foi apresentada como um centro cultural, mas há muito que há suspeitas do governo alemão e das secretas alemãs que aquilo nada mais era do que também um sítio que servia para, através de influência, propaganda e atividade ligadas aos próprios serviços secretos russos.”

O especialista em assuntos internacionais também destaca as novas sanções que serão aplicadas à Rússia e o aumento da pressão sobre a chamada frota-fantasmas usada para exportar hidrocarbonetos e fintar as sanções internacionais.

Quanto à guerra na Ucrânia, Miguel Baumgartner diz que Kiev continua a precisar de muitos mísseis para se defender da ofensiva russa, mas diz que opta agora por fazer uma guerra económica para tentar beliscar o poder de Moscovo.

Noutro plano, numa altura em que os Estados Unidos lançam novos ataques no Irão, Miguel Baumgartner diz que este conflito passou a ser económico e afirma que a paz está ainda muito longe.

O analista diz que os ataques cirúrgicos por parte dos Estados Unidos vão continuar por forma a evitar que Irão e Omã controlem o Estreito de Ormuz, por onde passava, antes da guerra, 20% do petróleo mundial.

A este propósito, sublinha que falta uma estratégia de segurança e energia à Europa.

“A Europa também terá que tomar medidas e decisões sobre como é que pode fortalecer a sua capacidade de segurança e militar, mas também aa sua segurança energética. António Costa, presidente do Conselho Europeu, já disse várias vezes que a Europa tem que olhar também para a sua segurança energética, e isto é um ponto que a mim me parece importante e que acho que nós continuamos a não olhar", conclui Miguel Baumgartner.

  • Fonte: Rádio Renascença
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