Caso Lindsay Clancy: o que acontece se o júri não chegar a um consenso após morte dos três filhos?

Caso Lindsay Clancy: o que acontece se o júri não chegar a um consenso após morte dos três filhos?

  • 01/09/2026 20:56
  • Redação

Depois de Lindsay Clancy ser acusada de matar os três filhos em 2023, o júri do julgamento anunciou na terça-feira que ainda não foi possível chegar a uma decisão unânime após seis semanas de julgamento no Tribunal Superior de Plymouth, no Massachusetts.

Clansy estrangulou Cora, de cinco anos, Dawson, de três, e Callan, de oito meses e tentou suicidar-se ao cortar os pulsos, o pescoço e atirar-se de uma janela do segundo andar da casa de família, ficando paralisada da cintura para baixo.

Se precisa de ajuda ou tem dúvidas sobre este tipo de problemas, não deixe de contactar um médico especialista ou um dos vários serviços e linhas de apoio gratuitas, como a Saúde 24 (808 24 24 24), o SOS Voz Amiga (800 209 899), o SOS Criança (116 111), a Linha Jovem (800 208 020) ou o S.O.S. Adolescente (800 202 484).

Em causa está a avaliação se foi um ato premeditado da mulher, quando pediu ao marido para cumprir dois recados e ficar sozinha com os filhos, ou se se tratou de uma psicose pós-parto.

Após mais de 80 testemunhas e 300 provas analisadas, os jurados não estão a conseguir chegar a uma decisão unânime.

"Depois de muitas horas de deliberação, não conseguimos chegar a uma decisão unânime", afirmou o júri na nota.

Em reação, o advogado Kevin Reddington não sabe o que o impasse do júri significa para o caso.

"Não sei se é um bom sinal, um mau sinal ou qualquer tipo de sinal", afirmou. "Eles estão a trabalhar arduamente para tentar chegar a uma decisão."

O Ministério Público (MP) pede a pena máxima e acusa a ex-enfermeira obstétrica de não só ter estrangulado os filhos até à morte, como também de ter planeado o crime.

Por oposição, Reddington defende que Clancy tem de ser considerada inocente por inimputabilidade, já que se tratou, segundo o próprio, de um episódio psicótico.

Já o júri pode declarar o julgamento nulo e encerrar sem conclusão, mas o que pode acontecer depois disso?

Se as deliberações entre jurados continuarem num impasse após reconsiderados todos os argumentos, o juíz pode, então, anular o julgamento e o caso será entregue a um novo juíz.

Mas, antes de chegar às mãos do próximo, há três opções que podem ser tomadas para evitar um segundo julgamento: um acordo entre defesa e acusação; pedir a transferência do processo para outro tribunal estatal; ou o MP pode simplesmente não avançar com um novo julgamento.

Mas se for aprovada a teoria da psicose, a mulher vai ser internada, a longo termo ou tempo indeterminado, numa instituição psiquiátrica do Estado.

A psicose pós-parto é muito mais rara do que a depressão pós-parto e caracteriza-se por uma perda de contacto com a realidade. Pode provocar alucinações, pensamentos desorganizados e convicções falsas e persistentes, incluindo ideias de natureza extrema ou implausível. Algumas doentes podem ouvir vozes que lhes ordenam que se suicidem ou que ataquem o bebé.

Estima-se que a perturbação ocorra em cerca de um a dois casos por cada mil mulheres depois do parto. Ao contrário da depressão pós-parto, cujos sintomas podem surgir mais tarde, a psicose tende a desenvolver-se rapidamente.

A gravidade dos sintomas e a possibilidade de existirem pensamentos suicidas ou de agressão à criança fazem com que seja considerada uma emergência psiquiátrica.

A condição não deve ser confundida com a depressão pós-parto nem com o chamado “baby blues”. A depressão pode provocar tristeza persistente, perda de interesse, alterações do sono, fadiga, dificuldades de concentração e, em situações graves, pensamentos suicidas. Já a psicose implica uma alteração da perceção da realidade e pode envolver delírios ou alucinações.

  • Fonte: Rádio Renascença
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