Matosinhos avança com empréstimo para construir 500 casas de renda acessível
- 02/09/2026 05:02
- Redação
A Câmara de Matosinhos vai avançar com um empréstimo de cerca de 65 milhões de euros para acelerar a construção de habitação de renda acessível no concelho, numa estratégia que pretende responder à procura crescente e preparar o período pós-PRR.
“Nós vamos contrair um empréstimo no valor de 64.970.000 euros, por grosso modo, 65 milhões de euros que a Câmara de Matosinhos vai pedir a título de empréstimo”, explica a autarca.
Segundo Luísa Salgueiro, o objetivo é “lançar uma nova fase de resposta aos problemas de habitação” e antecipar a construção de novas casas, numa altura em que ainda não são conhecidas as medidas que serão adotadas a nível nacional.
A presidente da Câmara de Matosinhos explica que o município pretende avançar desde já com o investimento, esperando posteriormente recuperar uma parte significativa dos custos através do financiamento estatal.
“O que o Governo tem comprometido é que vai financiar 60% da construção nesta nova fase”, afirma.
“A Câmara de Matosinhos vai avançar já com esta construção, sendo que posteriormente vamos receber 60% desse valor”, acrescenta Luísa Salgueiro.
A autarca considera que esta opção permite acelerar o processo e evitar que a indefinição sobre os mecanismos nacionais atrase a resposta à procura de habitação.
“Estamos a alocar recursos do próprio município para acelerar o início de todo este investimento e, assim que o Governo se disponibilizar a financiar os 60%, nós beneficiaremos também desses 60%”, explica.
A necessidade de aumentar a oferta de habitação é justificada também pela procura existente no concelho. De acordo com a presidente da Câmara, cerca de mil famílias estão atualmente à espera de uma resposta habitacional em Matosinhos.
“Neste momento temos aproximadamente 1.000 famílias a aguardar habitação no concelho”, revela.
A estratégia municipal não está, contudo, direcionada apenas para os agregados com maiores dificuldades económicas. A autarquia pretende também responder às necessidades da classe média, dos trabalhadores e dos jovens que procuram autonomizar-se.
“Estamos a construir não apenas para as pessoas mais carenciadas, mas para a classe média, para as pessoas que trabalham, que têm rendimentos, mas não conseguem suportar os encargos com habitação, para jovens que se querem autonomizar”, afirma Luísa Salgueiro.
A presidente da Câmara sublinha ainda que a política de habitação pretende evitar que o aumento da valorização imobiliária e a qualificação do território acabem por afastar os residentes.
“Queremos garantir uma habitação digna para todos e evitar que a qualificação do território gere o afastamento das gentes da terra”, afirma.
A Câmara de Matosinhos espera concluir o processo durante o atual mandato, com a disponibilização das novas habitações prevista até 2029.
“Durante este mandato, penso que estarão todas disponibilizadas até 2029”, adianta Luísa Salgueiro.
A autarquia pretende, desta forma, antecipar a resposta à crise habitacional e aumentar a oferta de renda acessível no concelho, recorrendo inicialmente a financiamento municipal enquanto aguarda pela concretização do apoio financeiro anunciado pelo Governo.