IA generativa é usada por 85% das crianças e jovens sobretudo para trabalhos escolares
- 02/09/2026 05:31
- Redação
Cerca de 85% das crianças e jovens portugueses entre os 9 e os 17 anos já utilizaram ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa, sendo os trabalhos escolares uma das principais utilizações, revela o relatório da EU Kids Online 2025.
Entre os inquiridos, 47% dizem ter usado IA generativa em trabalhos para a escola, enquanto 23% recorreram a estas ferramentas para conversar e obter conselhos sobre saúde física e a mesma percentagem para falar sobre preocupações e obter conselhos.
O recurso à IA para fins escolares aumenta claramente com a idade: é referido por 28% das crianças entre os nove e os 11 anos, 48% dos 12 aos 14 anos e 63% entre os 15 e os 17 anos.
O relatório “Novos usos, novos riscos? Direitos digitais de crianças e jovens (9-17 anos)”, realizado junto de 2.111 crianças e jovens utilizadores da internet, mostra ainda uma diferença significativa segundo o estatuto socioeconómico: metade dos jovens dos níveis socioeconómicos alto e moderado refere usar IA para trabalhos escolares, percentagem que desce para 34% entre os de nível baixo.
Os investigadores sublinham que a IA generativa passou a ser uma componente central das práticas digitais dos mais novos e que os usos escolares se destacam, nomeadamente para resumir ou explicar textos longos e ajudar na realização de trabalhos da escola.
“Houve em Portugal uma rápida penetração, uma rápida divulgação dos [sistemas de IA] entre os jovens, à margem dos professores, à margem dos pais”, explicou à Lusa uma das responsáveis pelo relatório, Cristina Ponte, investigadora no Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA).
Para a académica, “fazer o uso destas ferramentas para os trabalhos para a escola pode ser produtivo se ajudar nos estudos”, desde que exista “uma orientação de procura, de pesquisa, de uma certa orientação pedagógica”.
No entanto, alerta, “também pode ser negativo se delegarem todo o trabalho para a escola nos [sistemas de IA]”, uma prática que, considera, “traz prejuízos em termos de aprendizagem, de conhecimento”.
O relatório identifica, contudo, uma diferença entre a confiança que crianças e jovens manifestam nas suas competências digitais e o conhecimento efetivo sobre o funcionamento dos algoritmos, os modelos de negócio das redes sociais e o impacto social das tecnologias digitais.
Cerca de metade dos inquiridos manifesta ainda interesse em aprender mais sobre notícias falsas e sobre formas de proteger os dados pessoais “online”.
Para Cristina Ponte, distinguir informação fiável de conteúdos manipulados ou falsos é um dos grandes desafios atuais.
Os resultados do EU Kids Online 2025 mostram uma integração crescente das tecnologias digitais na vida quotidiana e escolar, num contexto em que a utilização da IA generativa surge associada não apenas à aprendizagem, mas também à procura de informação, comunicação e apoio.