Elevador da Glória: Ministério Público prevê concluir investigação até março de 2027
- 02/09/2026 09:51
- Redação
O Ministério Público prevê concluir até ao final do primeiro trimestre de 2027 o inquérito ao acidente do Elevador da Glória, em Lisboa, que provocou 16 mortos. A investigação aguarda ainda a conclusão dos ensaios e perícias técnicas, prevista para novembro deste ano.
Numa nota divulgada esta quarta-feira, véspera de se assinalar um ano sobre o acidente, a PGR explica que foram determinadas as perícias consideradas necessárias para esclarecer “os factos que estiveram na origem da ocorrência e bem assim eventuais responsabilidades criminais”.
Segundo o Ministério Público, a investigação criminal está a decorrer de forma independente da investigação conduzida pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), embora existam “vários pontos de convergência” entre os dois processos.
As perícias foram realizadas em articulação com o GPIAAF, tendo em conta que alguns dos ensaios são “destrutivos e irrepetíveis”, o que impossibilitaria a sua duplicação. Apesar de comuns às duas investigações, os trabalhos mantiveram a autonomia e os objetivos de cada uma: a vertente criminal, no caso do Ministério Público, e a vertente técnica e de prevenção, no caso do GPIAAF.
Os trabalhos técnicos incidiram, entre outros aspetos, sobre as características, condição de funcionamento e comportamento do cabo de tração e da sua fixação ao veículo, bem como sobre os sistemas de travagem dos veículos e a dinâmica do seu funcionamento.
Foram ainda analisadas as condições de aderência dos travões aos carris e às rodas, o sistema elétrico dos veículos e a sua relação com os sistemas de travagem e com o cabo de tração.
A investigação abrange também a organização empresarial e os processos de manutenção e certificação em qualidade e segurança utilizados pela Carris.
O Ministério Público salienta a “elevada complexidade técnica” das perícias, que obrigou à fabricação e aquisição de estruturas e peças necessárias à obtenção de dados considerados fiáveis. A Carris, refere a nota, “colaborou ativamente nesse processo”.
À medida que os trabalhos avançaram, surgiram novas dúvidas e a necessidade de esclarecimentos adicionais, o que obrigou à realização de novos ensaios técnicos. O DIAP destaca o “elevado profissionalismo, empenho e dedicação de todos os peritos envolvidos”.
A investigação prosseguiu durante o período de férias judiciais e aguarda agora a conclusão dos ensaios e perícias, que o Ministério Público prevê que aconteça em novembro.
Depois dessa fase, será feita uma “análise minuciosa dos factos” e uma “avaliação criteriosa sobre a suficiência de indícios”, seguindo-se o eventual apuramento de responsabilidades criminais.
O Ministério Público estima que o despacho final do inquérito possa ser conhecido até ao final de março de 2027, “salvo algum imponderável”.