EDULOG: Que cursos dão melhores salários e têm menos desemprego?

EDULOG: Que cursos dão melhores salários e têm menos desemprego?

  • 02/09/2026 19:04
  • Redação

O desemprego é maior entre os licenciados em Artes, Psicologia, Ciência, Matemática e Estatística, Humanidades e Línguas, face aos colegas com diploma em Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção.

A probabilidade de desemprego atinge pelo menos 10 pontos percentuais nestas áreas. E, quando estes licenciados entram no mercado de trabalho, também têm um salário menos atrativo, de acordo com o coordenador do estudo, Ricardo Biscaia.

"Em Psicologia, prevê-se que um diplomado, um ano após a conclusão do curso, receba menos 15% do que a referência, que são os diplomados em Gestão e Administração. Em Línguas menos 13%, nas Artes menos 13%, na Ciência e Educação menos 11,6%", sublinha.

"Estimamos que, por cada valor a mais que o estudante tenha de média final, o seu salário aumente 2,3% um ano após a conclusão do curso, mas se for cinco anos após a conclusão esse valor já será de 4%. Alguém que tenha cinco valores de diferença, à partida, estimamos que receba 20% mais."

O coordenador do estudo considera que este é também um "sinal bastante importante" para as instituições de ensino superior, porque "significa que estão a fazer bem o seu trabalho".

Outra das conclusões é que Portugal tem mais diplomados do que aqueles que consegue absorver.

O EDULOG aponta as Humanidades e as Artes como as áreas onde cerca de metade dos recém-diplomados estão insatisfeitos com o tipo de trabalho que arranjam.

"Produzimos mais diplomados do que aqueles que o mercado consegue absorver, em determinadas áreas. A capacidade de absorção é, muito provavelmente, o principal fator que explica os resultados que temos aqui. Algumas coisas têm a ver com a pessoa – aparecem como menos importantes, apesar de serem significativas –, mas a área é importante. Em algumas áreas a capacidade das empresas absorverem os diplomados não acontece com mais força", indica Ricardo Biscaia.

As mulheres diplomadas estão em desvantagem face aos seus colegas homens, quando entram no mercado de trabalho, segundo o estudo do EDULOG.

Elas têm menor estabilidade no trabalho e têm salários mais baixos, uma diferença que se agrava ao longo da carreira, revela Ricardo Biscaia, o coordenador do estudo.

"As mulheres, passado um ano após a conclusão do curso, recebem menos 11% do que os homens e este 'gap' [diferença], quando comparamos com cinco anos depois do curso, aumenta para 16%. É um 'gap' que parece aumentar à medida que a carreira vai progredindo", sublinha.

Em comparação com o homem, a mulher tem, também, menor probabilidade de ter contrato sem termo um ano após a licenciatura. Tem maior probabilidade de trabalhar na sua área, "mas tem mais probabilidade de estar sobrequalificada".

O estudo do EDULOG inquiriu diplomados em 2016/2017 cinco anos após a conclusão do curso e diplomados de 2020/2021 um ano após a conclusão da licenciatura.

  • Fonte: Rádio Renascença
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