Área de Lisboa funciona com “efetivo mínimo”, alerta o comandante da PSP
- 03/09/2026 00:30
- Redação
O comandante do comando metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP defende um reforço de polícias para o maior comando do país, considerando que a área do Cometlis está a funcionar com “o efetivo mínimo” para todas as necessidades.
Em entrevista à Lusa, o superintendente-chefe Luís Elias lembra que o Cometlis abrange nove concelhos com uma população de cerca de três milhões de pessoas (Amadora, Cascais, Lisboa, Loures, Odivelas, Oeiras, Sintra, Vila Franca de Xira e Torres Vedras).
“Para três milhões diários [de população] temos seis mil polícias. Portanto, eu penso que este número terá que ser reforçado”, considerou, alertando para a necessidade deste comando ter “um número aceitável de polícias para acorrer a todos os desafios” na área do Cometlis.
Segundo Luís Elias, é neste comando que decorrem os eventos mais complexos, nomeadamente manifestações públicas de protesto, grandes eventos desportivos, culturais e políticos, segurança em embaixadas e em órgãos de soberania.
”É importante que tenhamos noção de que esta é a maior unidade armada e uniformizada do país. Não tem dimensão e comparação com mais nenhuma unidade dentro da PSP e com mais nenhuma unidade de outra força de segurança. O efetivo do Cometlis é maior do que a Marinha portuguesa. É maior do que o efetivo da Polícia Judiciária”, sublinhou, realçando que, apesar desta dimensão, os recursos não são em abundância.
Tendo em conta esta “realidade complexa” da área metropolitana de Lisboa, Luís Elias afirmou que “o número de polícias não pode baixar até determinado nível”.
“Neste momento, o efetivo que temos é o mínimo para acorrer a todas as necessidades. Precisamos de mais”, disse, sem especificar quantos polícias são necessários para o Cometlis.
Sobre os 200 polícias prometidos em maio para Lisboa pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, o comandante do Cometlis referiu que neste momento está a decorrer um curso de formação de agentes na Escola Prática de Polícia que termina a 18 de dezembro deste ano.
“Contamos que uma parte significativa destes polícias sejam colocados no Cometlis”, adiantou.
Segundo avançou à Lusa a PSP, em maio, quando terminou o último curso de agentes, foram colocados em Lisboa 190 polícias.
Questionado sobre o plano que a PSP entregou ao Ministério da Administração Interna sobre o encerramento de esquadras em Lisboa, Porto e Setúbal, Luís Elias afirmou que contribuiu para esse documento no que toca ao Cometlis, mas escusou-se a avançar pormenores.
“A nossa proposta de reestruturação do dispositivo no Cometlis, Comando Metropolitano do Porto e Comando de Setúbal foi devidamente validada pela direção nacional e apresentada ao Ministério da Administração Interna. O Ministério da Administração Interna terá oportunidade de discutir em concreto o plano com os presidentes de câmara, de o apresentar publicamente, se assim o entender, e depois passar à fase de concretização”, disse.
Luís Elias avançou que “em alguns casos não implica o encerramento de esquadras”, mas sim “a reconversão de esquadras existentes noutro tipo de instalações policiais”.
Para o responsável, a questão da presença policial “é o mais importante”.
Mas alertou que o dispositivo policial em Lisboa “não tem comparativo com muitas cidades europeias”, existindo na capital portuguesa um maior número de esquadras do que em Madrid ou em Paris.
“Temos que pensar se queremos polícias dentro das instalações ou se queremos fora a garantir a segurança das populações. Foi nesta perspetiva de colocar mais polícias em funções operacionais na rua e no momento em que estamos com algumas dificuldades de decréscimo do efetivo global do Cometlis que apresentámos a proposta”, indicou.
Disse ainda que a PSP apresentou “soluções criativas no sentido de conseguir ter mais polícias em funções operacionais, projetar mais meios para a rua e ter mais capacidade de responder às solicitações dos cidadãos, quer numa perspetiva preventiva, do policiamento de proximidade e visibilidade, quer numa perspetiva reativa”.
Noutro plano, Luís Elias pede “menos discursos alarmistas” sobre segurança na praça pública, considerando que esta matéria requer um “trabalho efetivo e de coordenação” entre diferentes entidades, nomeadamente com as autarquias.
“As questões de segurança fazem-se com trabalho e se calhar com menos discursos públicos. Faz-se com um trabalho efetivo, coerente, em parceria entre diversos atores sociais, e se calhar menos com discursos algo alarmistas na praça pública”, disse o superintendente-chefe Luís Elias, em entrevista à agência Lusa.
O responsável da PSP respondia à Lusa sobre os alertas do presidente da Câmara Municipal de Lisboa para o clima de insegurança nas ruas da capital, tenho chegado a afirmar, no passado fim de semana, estar alarmado com a situação.
O comandando do comando metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP sustentou que o autarca de Lisboa “tem toda a legitimidade de preferir as declarações que entender”, mas defendeu que “as políticas de segurança pública requerem, muitas vezes, recato, trabalho efetivo e coordenação entre diferentes entidades, entre as quais a própria autarquia”.
“Penso que cada vez mais o discurso público relativamente às questões de segurança tem que ser sensato e devemos evitar o alarmismo”, referiu, avançando que os números da criminalidade na área do Cometlis não mostram esta situação de insegurança.
Segundo a PSP, a criminalidade geral aumentou 2,9% nos primeiros oito meses do ano na área do Cometlis e a criminalidade violenta e grave desceu 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Luís Elias considerou ser mais importante existir uma cooperação e parcerias permanentes entre a PSP e as autarquias do que “dizer que há uma situação de insegurança generalizada”. Até porque, sublinhou, “não parece que isso seja verdade e os próprios números oficiais não o demonstram”.
“Partimos do particular para o todo e estamos a dizer que houve este crime e só por causa de este crime há um clima insustentável de insegurança. É bom que tenhamos a noção e a consciência e que façamos uma avaliação comparativa com outras cidades europeias, com outras realidades em termos internacionais”, afirmou.
Luís Elias sublinhou que Portugal não está hoje “fechado e separado do mundo”, existindo fenómenos criminais que nascem em outras cidades e acabam por ter impacto também no país.
Como exemplo, referiu que o turismo tem muitos fatores positivos, mas também representa “muitas vezes a importação de alguns fenómenos transnacionais de criminalidade”.
O comandante do Cometlis defendeu também a realização de um inquérito à vitimização para se perceber qual o verdadeiro sentimento de insegurança da população para que não seja feito "de forma meramente aleatória ou casuística”, considerando que “o sentimento de insegurança acaba por aumentar se for propalado e reproduzido até à exaustão”.