"Ou é incompetente ou é cúmplice": Feijóo exige demissão de Sánchez após crise de migrantes em Ceuta

"Ou é incompetente ou é cúmplice": Feijóo exige demissão de Sánchez após crise de migrantes em Ceuta

  • 03/09/2026 06:11
  • Redação

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, foi esta quinta-feira ao parlamento defender que "não há provas concretas" de Marrocos ter planeado ou orquestrado a movimentação de migrantes para Ceuta que aconteceu no final do mês de julho.

"Estou consciente das dúvidas, indícios e perguntas que estão no ar. Mas como presidente do Governo tenho de gerir esta crise com rigor e com prudência. Até hoje ninguém forneceu provas ao Governo de que esta entrada em massa na cidade espanhola de Ceuta foi desenhada ou executada pelas autoridades marroquinas", afirmou Sánchez.

Em resposta, o líder de oposição, Alberto Núñez Feijóo, reclamou a demissão de Sánchez, declarando que o chefe do Executivo "ou é incompetente ou é cúmplice", e reclamou ainda a classificação de "invasão" para o que aconteceu na região.

"Aconteceu uma invasão, porque 80 mil pessoas de diferentes pontos de Marrocos dirigiram-se à fontreira e atravessaram-na sem que o seu governo ou Marrocos fizesse algo para o impedir", afirmou o líder do PP.

Nas declarações, Sánchez condenou as declarações de dois ministros marroquinos, que reclamaram o direito de Marrocos aos territórios de Ceuta e Melilla, e aproveitou a deixa para declarar que ambos serão território espanhol "para sempre".

"Durante séculos, estas duas cidades foram espanholas. E asseguro-vos que, para o governo espanhol, assim permanecerá para sempre”, afirmou o primeiro-ministro, acrescentando que convocou o embaixador marroquino para uma reunião no passado dia 21 de agosto.

Sánchez apelou ainda a que o rei Filipe VI visite Ceuta e Melilla “nas próximas semanas”.

A última visita de um monarca espanhol aos territórios do norte de África aconteceu em 2007, altura em que rompeu uma crise diplomática com Marrocos, que reclama os dois enclaves.

Relativamente à autoria do que ocorreu em Ceuta, Sánchez considerou que, com as informações disponíveis até agora, se pode dizer que se deveu a uma conjugação de fatores e autores.

O primeiro-ministro referiu "vários autores que se retroalimentaram", mas "provavelmente não de forma coordenada" e com um resultado também provavelmente imprevisível incluindo para os próprios envolvidos.

Sánchez reiterou que o detonador da entrada em massa em Ceuta foi uma deturpação de uma sentença do Tribunal Supremo de Espanha sobre a devolução de migrantes que entram ilegalmente em território espanhol a nado, que foi aproveitada por máfias e outros grupos nos dias anteriores ao episódio de Ceuta.

O primeiro-ministro repetiu que logo a partir do meio-dia de 30 de julho, pouco depois do início da avalanche na fronteira de Ceuta, redes sociais e plataformas digitais associadas a Israel, à Rússia e à extrema-direita europeia amplificaram o que estava a ocorrer, com recurso a desinformação, alimentando o fenómeno.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: