Botelho da Costa e a visita ao FC Porto: "Temos de dar as mãos e defender a baliza com tudo"
- 03/09/2026 07:45
- Redação
Vasco Botelho da Costa assume que o Moreirense vai ter de passar "muito tempo a defender" frente ao FC Porto, no entanto, salienta que, nos momentos em que tiver bola, terá de ser acutilante e aproveitar os espaços.
"Sabemos que vamos ter momentos em que temos de dar as mãos e defender a nossa baliza com tudo. Mas também sabemos que o Porto é uma equipa que pressiona de forma muito agressiva e esse tipo de pressão gera espaços e desequilíbrios. Temos de estar preparados para conseguir aproveitar isso (...). A grande diferença nestes jogos é que chegamos à baliza menos vezes do que queremos e gostamos, e quando chegamos, temos de fazer a diferença", afirma o treinador dos cónegos, em conferência de imprensa de antevisão, esta quinta-feira.
Botelho da Costa reconhece que esta versão do Moreirense está "inacabada" e suspira pelo fecho do mercado de transferências.
É daqueles jogos em que sabemos que vamos estar muito tempo a defender. Não é aquilo de que mais gostamos, mas tem acontecido muito esta época, porque o mais difícil trabalhar é a parte ofensiva e, aí, sinto que a nossa equipa ainda está um pouco atrás do que nós queremos. Tivemos muito isso com o Casa Pia e o Braga. Frente ao Porto, sabemos que vamos ter momentos em que temos de dar as mãos e defender a nossa baliza com tudo. Mas também sabemos que o Porto é uma equipa que pressiona de forma muito agressiva e esse tipo de pressão gera espaços e desequilíbrios. Temos de estar preparados para conseguir aproveitar isso e de certeza absoluta que vamos ter algumas ocasiões para criar perigo.
A grande diferença nestes jogos é que chegamos à baliza menos vezes do que queremos e gostamos, e quando chegamos, temos de fazer a diferença. É muito sobre isso, fazer a diferença nos momentos em que tivermos oportunidade. E dar seguimento ao nosso crescimento do ponto de vista defensivo, que é algo em que, à exceção do jogo com o Arouca, a equipa tem dado boa resposta.
É um Porto que manteve muito da sua identidade. É muito a mensagem que o treinador tem passado, especializarem-se no que já faziam bem. A parte um pouco mais vantajosa é que sentimos que conhecemos bem, mas de conhecer bem a conseguir parar vai um longo caminho, porque, para além de ser uma ideia muito vincada, bem trabalhada e preparada para diferentes abordagens, têm jogadores com muita qualidade individual, que fazem a diferença nos momentos em que o coletivo não consegue resolver.
Jogo com grau de dificuldade elevada, mas temos de olhar para nós e perceber quais têm de ser os nossos comportamentos nos diferentes momentos do jogo para, no final, se fizermos a maior parte das coisas bem feitas, estarmos mais próximos de um resultado positivo.
É uma versão claramente inacabada. Espero que não seja nenhuma, que seja melhor do que tudo aquilo que fizemos até aqui, poque teremos mais tempo de trabalho, mais conhecimento uns dos outros. Infelizmente, o mercado ainda não fechou, portanto com estas alterações não é fácil ter conhecimento total dos atletas que se juntaram a nós há menos de uma semana, alguns dois dias. Estamos ainda num período muito aquisitivo.
A versão ideal tem de obedecer aos nossos princípios, à nossa identidade. De forma muito vincada, somos uma equipa que não gosta de passar muito tempo a defender, sempre que possível gostamos de pressionar os nossos adversários e gostamos de ser fortes e ofensivos com bola. Do ponto de vista defensivo estamos no bom caminho, já com níveis interessantes para aquilo que queremos ser. Do ponto de vista ofensivo, ainda não; bastante longe, até. Sabemos que vai levar o seu tempo, mas, ao mesmo tempo, temos de conseguir resultados. Temos aqui muito trabalhinho pela frente.
Não é ideal, é algo que devia ser pensado. Sei que não é só uma questão portuguesa, é algo que extravasa. Mas não é uma situação muito confortável, porque aumenta muito a incerteza. Quanto a preparar jogos com adversários que também recebem jogadores a conta-gotas, no caso do Porto, tendo em conta que tem uma ideia muito bem definida, não atrapalha assim tanto, ainda que, obviamente, as características dos jogadores mudem. O Porto recebeu jogadores novos esta semana, mas nós sabemos muito bem aquilo que eles valem; não no contexto Porto, mas temos condições para avaliar o jogador, de forma a dar-nos a informação de que precisamos.
Sabemos aquilo que temos pela frente, é muito interessante para nós, equipa técnica, e para mim, treinador, já termos tido um ano de aprendizagem destes jogos, em que não conseguimos ter sucesso do ponto de vista do resultado. Na lógica de ambição que traçámos desde o início da época, em que queremos crescer e ser melhores, sem esquecer o contexto da nossa Liga, em que todos lutamos pela manutenção, queremos sempre fazer melhor. Ainda estamos significativamente atrás do que queremos ser e o nosso teste é a competição.
Sei que há ainda a possibilidade de ele chegar, mas não estou por dentro o suficiente para perceber se vai acontecer hoje ou amanhã. Do ponto de vista de saídas, não sei nada. Estamos tão próximos do jogo, que o foco é quem tenho hoje para treinar e quem joga. Em relação a objetivos, o que queremos e o que o Moreirense quer, temos reuniões e estamos todos alinhados, sabemos qual é a nossa ideia. Também sabemos que não somos multimilionários para ir buscar quem queremos quando queremos, nem controlamos o que acontece a nível de saídas. O Moreirense é um clube vendedor.