MOTELX celebra 20 anos com mais de 180 filmes em 11 dias. "Vai ser inesquecível"

MOTELX celebra 20 anos com mais de 180 filmes em 11 dias. "Vai ser inesquecível"

  • 03/09/2026 10:30
  • Redação

O MOTELX arranca esta quinta-feira, em Lisboa, para 11 dias dedicados ao cinema de terror e de género, numa edição que assinala 20 anos de promoção deste género cinematográfico em Portugal.

Pedro Souto, diretor do festival, está "curioso" para perceber se o público se vai concentrar mais nos fins de semana ou se vai aproveitar também a oferta da semana, numa edição com "cinema de terror, cinema de género intenso, muitos filmes ao mesmo tempo, muitas sessões por dia".

Em cartaz, o MOTELX apresenta mais de 180 filmes, entre curtas e longas metragens, em mais de 140 sessões, espalhadas pelo Cinema São Jorge e pela Cinemateca Portuguesa. Além de filmes, há masterclasses, exposições, workshops, apresentações de livros e homenagens.

Pedro Souto destaca a homenagem à realizadora luso-sueca Solveig Nordlund, que vai receber o prémio Noémia Delgado para Mulheres Notáveis no Terror. Também a celebração de Sergio Martino, "um dos mestres do terror italiano, conhecido pela sua dedicação ao género 'giallo' e que vai estar no festival para receber o prémio Mestre do Terror".

O diretor do MOTELX salienta os vários programas de apresentação de filmes mais e menos conhecidos. Um deles é o "Lost in Europe: O Terror por Detrás da Cortina de Ferro", na Cinemateca, em que serão exibidos "filmes de culto": "São filmes esquecidos de países da altura, nomeadamente a Jugoslávia, a Checoslováquia, a antiga União Soviética, a Polónia. As Alemanhas, as duas Alemanhas."

Outro painel que entusiasma Pedro Souto surge de um convite do Gotham Institute de Portugal: chama-se "Falar da Morte Nunca Matou Ninguém" e vai incluir o "Nosferatu" de Werner Herzog, de 1979.

"Vamos ter um convidado especial, Jörg Buttgereit, que fez um conjunto de filmes bastante polémicos na altura, ainda nos anos 80, o mais famoso sendo o 'Necromantic'. E vamos debater depois em painel esta temática da morte e por que é que temos esse fascínio e por que é que é tão difícil também lidar com a morte. E nada melhor que o cinema de ficção também para nos ajudar a fazer isso", salienta.

Para quem procura caras bem conhecidas do público português, a secção “Sala de Culto” exibe “A Teia do Gelo”, de Nicolau Breyner. Mas esta não será a versão a que estamos habituados a ver.

"Vamos exibir o filme na sua versão nunca vista em inglês. Este filme foi rodado em português e em inglês, portanto faziam um 'take' em português e depois faziam um outro em inglês. A versão inglesa nunca foi exibida e é essa que nós queremos mostrar. Comunica também, de certa maneira, com o outro filme desta secção, que se chama 'Kung Fu à Portuguesa'. É um filme de kung fu, de Taiwan, dos anos 70, que, não sabemos ainda bem como e porquê, tem legendas do Raul Solnado, que contam uma história que não tem nada a ver com o que se está a passar no filme", conta.

O MOTELX celebra, este ano, duas décadas de existência, algo que, no entender de Pedro Souto, "é sempre de celebrar" e que deve suscitar "grande orgulho".

"Já se sabe que eventos culturais, especialmente em Portugal, são sempre muito desafiantes. Penso que conseguimos alcançar a ideia de comunidade", afirma.

Outra "grande aposta" do MOTELX é o cinema de terror português, especialmente as curtas metragens.

"Lançámos um prémio, fomos aumentando o seu valor monetário. Hoje em dia é um prémio que dá 5 mil euros à melhor curta portuguesa. Temos depois outras competições. Temos já longas portuguesas ao longo das últimas edições que têm estado sempre presentes. E isto era inimaginável há 20 anos. Eu penso que o Motel X, funcionando um pouco como plataforma de promoção, de exibição do cinema de terror, consegue fazer isso", explica.

"Temos de continuar. O cinema português de terror continua a ser uma das nossas missões. Tudo o que pudermos fazer por ele, faremos. Mas vai depender muito também das mudanças ao nível de financiamento. Especialmente o financiamento público continua a pesar muito nas produções de cinema em Portugal, de passarem também a apostar mais no cinema de género", assinala.

Para o diretor do MOTELX, a aposta em cinema português de terror e de género faz todo o sentido, porque "é rico em termos de temáticas e em termos de abordagens".

"Tem-se visto neste último ano, nas salas, resultar em sucessos de bilheteira. São muitas vezes filmes de baixo orçamento que conseguem alcançar uma grande quantidade de pessoas. E acho que é esse equilíbrio que é importante encontrar em Portugal", finaliza.

  • Fonte: Rádio Renascença
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