Ameaça ao "regular funcionamento das instituições" ganha lastro no PS e entre seguristas

Ameaça ao "regular funcionamento das instituições" ganha lastro no PS e entre seguristas

  • 03/09/2026 02:00
  • Redação

Cresce assim a tese no PS de que o “regular funcionamento das instituições” está em causa à boleia da polémica em torno de Luís Neves, mesmo saltando a etapa da moção de censura.

Numa altura em que a discussão da proposta de Orçamento do Estado se aproxima, a direção do PS antecipa que a comissão de inquérito à PJ não servirá apenas para desgastar o Governo, mas um conjunto alargado de instituições do Estado.

"A nossa Constituição é muito clara quanto às competências e às atribuições de cada órgão de soberania. Aquilo que eu desejo é que cada um assuma a sua responsabilidade", afirmou António José Seguro, em Vila Nova de Cerveira, após visitar a Bienal Internacional de Arte, considerando-se um "Presidente muito atento aos factos".

E, de resto, trata-se de um dia em que o Presidente da República usa habitualmente da palavra na sessão nos Paços do Concelho, em Lisboa, sendo o primeiro 5 de outubro do atual chefe de Estado.

Beleza não foi, contudo, o único elemento próximo de Seguro a pressionar publicamente o primeiro-ministro a tomar uma decisão sobre o futuro de Luís Neves. O ex-ministro da Saúde do PS Adalberto Campos Fernandes foi até mais vocal, referindo que “há sinais muito preocupantes que indiciam materialmente um funcionamento irregular das instituições”.

Campos Fernandes vaticina mesmo que “se quem tem de tomar as responsabilidades não toma, haverá um momento em que essa responsabilidade lhe será pedida”, criticando o tom de Luís Neves na intervenção desta segunda-feira num evento com elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP), na Madeira.

“Não é adequado que se misturem os papéis. Um ministro não pode ou não deve dirigir-se ao líder do principal partido da oposição enquadrado por agentes que representam o Estado na sua expressão de autoridade”, defendeu Campos Fernandes.

Numa altura em que se aproxima o tempo da negociação do Orçamento do Estado, a nova sessão legislativa arranca inflamada, com uma moção de censura à vista e mais uma comissão de inquérito. Na direção do PS admite-se que a jogada do Chega desgasta o Governo, mostra a irresponsabilidade de Ventura e a responsabilidade dos socialistas.

Questionado sobre em que condições é que a moção de censura do Chega deixa o PS, o mesmo dirigente socialista responde que “se o país ainda estiver a pensar com normalidade, significa que o PS será visto como o partido da alternativa de confiança”. Mas Carneiro também precisa de tempo para aumentar a vantagem indicada pelas sondagens e evita ser o motor de uma crise política.

  • Fonte: Rádio Renascença
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