"Maior" El Niño de sempre pode atingir Portugal e o resto da Europa? IPMA responde
- 03/09/2026 14:12
- Redação
Há um forte consenso entre os cientistas sobre a gravidade e intensidade do El Niño que se regista este ano. Portugal e o resto da Europa poderão sofrer impactos indiretos deste fenómeno meteorológico extremo, alerta o IPMA.
A Organização Meteorológica Mundial alertou esta quinta-feira para o aumento da temperatura da água no Pacífico, uma subida 8 graus Celsius acima da média, durante julho e o início de agosto.
É um fenómeno meteorológico extremo, recorrente, que surge com intervalos de dois a sete anos. Está associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico, que altera a circulação atmosférica e pode afetar os padrões de temperatura e precipitação.
El Niño significa “o menino” em espanhol. É uma referência ao Menino Jesus, porque era um fenómeno observado pelos pescadores da América do Sul, perto da época do Natal.
Os cientistas alertam para o calor acumulado no Pacífico e, em particular, o volume e profundidade do aumento das temperaturas, que já estão 8 graus Celsius acima da média.
Este ano está reunido o maior consenso de sempre, entre os especialistas, sobre a intensidade deste fenómeno, que deverá prolongar-se até ao próximo ano. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) apontou esta quinta-feira para uma probabilidade “excepcionalmente elevada, próxima dos 100%”, de persistência do fenómeno durante os próximos meses, podendo estender-se até fevereiro de 2027.
Segundo Ricardo Deus, o El Niño surge no início do verão e as previsões apontam para "que se intensifique até novembro, dezembro. Pode atingir o pico de intensidade até dezembro e depois demora três ou quatro meses a voltar para a situação neutral".
Poderá provocar ondas de calor extremo, cheias devastadoras e incêndios de grande dimensão.
O El Niño pode subir as temperaturas ou aumentar a precipitação na Europa, mas não será comparável aos desastres climáticos que podem ocorrer na América do Sul, Sudeste Asiático, Austrália, Índia, África ou América do Norte.
De acordo com o chefe da Divisão do Clima e Alterações Climáticas do IPMA, Ricardo Deus, este é "um fenómeno à escala global", mas "claramente a Europa está um bocadinho fora deste jogo, os estudos de correlação entre o fenómeno e o impacto no continente europeu não evidenciam uma ligação tão forte como acontece com os continentes americano e asiático".
Não está excluída, ainda assim, a ocorrência de temperaturas ou precipitação elevadas para a época nos países europeus, como Portugal, durante este período. No entanto, serão sempre efeitos indiretos do El Niño, impulsionados pelo aumento da temperatura média do planeta.