Três americanos evacuados após ataque a acampamento na Reserva do Niassa, em Moçambique

Três americanos evacuados após ataque a acampamento na Reserva do Niassa, em Moçambique

  • 04/09/2026 08:50
  • Redação

Pelo menos três cidadãos norte-americanos foram evacuados após um ataque a um acampamento de caça na Reserva Especial do Niassa, no norte de Moçambique, segundo uma fonte conhecedora do incidente citada pela Reuters.

O acampamento é copropriedade do treinador de futebol português Carlos Queiroz, que atualmente orienta a seleção do Gana. Em declarações à Reuters, por telefone, a partir de Lisboa, o técnico disse estar à espera de informações das autoridades moçambicanas para esclarecer o que aconteceu.

"Pelas imagens a que tive acesso, parece que todo o estabelecimento foi incendiado", afirmou Carlos Queiroz.

O antigo selecionador nacional explicou que a zona se encontra atualmente interditada devido à insegurança e que não dispõe de informações diretamente provenientes do local.

Segundo a fonte citada pela Reuters, os três norte-americanos encontravam-se a caçar quando os alegados insurgentes atacaram o acampamento. Os funcionários terão fugido do local e o exército moçambicano foi chamado a intervir.

A mesma fonte adiantou que o acampamento foi incendiado, mas não há, até ao momento, mortes confirmadas.

A publicação moçambicana Zitamar News avançou inicialmente com a notícia do ataque, referindo a possibilidade de existirem vítimas mortais. O analista regional Tertius Jacobs, do Focus Group, que acompanha a insurgência na região, afirmou também que vários civis poderão ter sido sequestrados.

Jacobs disse à Reuters que o ataque terá ocorrido perto da aldeia de Marangira, na província do Niassa, e que os atacantes terão levado vários civis e saqueado mantimentos antes de seguirem em direção à província de Cabo Delgado.

Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano confirmou à Reuters que a embaixada dos Estados Unidos em Moçambique tinha conhecimento de um ataque a um alojamento de caça nas proximidades da Reserva Especial do Niassa, mas não confirmou se cidadãos norte-americanos tinham sido afetados.

Os Estados Unidos já tinham recomendado aos seus cidadãos que não viajassem para a Reserva Especial do Niassa, alertando para ataques de grupos terroristas contra alojamentos de caça na região e para situações de tomada de reféns.

A Reserva Especial do Niassa é uma das maiores áreas protegidas de África. A caça de animais de grande porte decorre habitualmente entre maio e novembro e atrai, segundo a Reuters, grupos de caçadores provenientes dos Estados Unidos.

Moçambique enfrenta desde 2017 uma insurgência associada ao Estado Islâmico em Cabo Delgado, conflito que provocou milhares de mortos e o deslocamento de centenas de milhares de pessoas.

No ano passado, um ataque semelhante na Reserva do Niassa destruiu um acampamento turístico e provocou seis mortos, incluindo quatro guardas florestais, durante confrontos.

O Governo moçambicano não respondeu, até ao momento, aos pedidos de esclarecimento feitos pela Reuters.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: