Usar IA como substituto de psicólogo já é “problema de saúde pública”, alerta bastonária

Usar IA como substituto de psicólogo já é “problema de saúde pública”, alerta bastonária

  • 04/09/2026 08:10
  • Redação

A utilização de ferramentas de inteligência artificial como substituto de acompanhamento psicológico já constitui um “problema de saúde pública”, alerta a bastonária da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

“Já constitui um problema de saúde pública”, afirma a bastonária, que aproxima alguns destes casos da chamada “pseudopsicologia”: respostas procuradas por pessoas em sofrimento, mas que podem não ter sustentação científica.

A preocupação não se limita aos chatbots. Sofia Ramalho adverte também para aplicações de saúde mental disponíveis no mercado que prometem respostas para ansiedade ou sintomas depressivos, mas que, em alguns casos, “não respondem a requisitos científicos”.

O risco aumenta, considera, quando uma ferramenta generalista assume perante o utilizador um papel semelhante ao de um profissional de saúde.

“Não está do outro lado um profissional competente para poder colocar as questões certas, para poder perceber exatamente qual é o contexto que a pessoa está a viver”, alerta.

Sofia Ramalho dá o exemplo de alguém que descreve sintomas de tristeza e pergunta a um chatbot de que perturbação sofre.

“Poderiam aparecer várias, mas o Chat se calhar até só vai responder que é uma depressão”, exemplifica.

“Estamos, de facto, em situações que são perigosas, porque estamos a falar de situações de saúde”, acrescenta. Para a bastonária, a utilização da inteligência artificial nestas circunstâncias, “sem qualquer acompanhamento de um profissional especializado, é um problema de saúde pública”.

O alerta surge numa altura em que a própria Ordem dos Psicólogos está a desenvolver uma estratégia para a utilização da inteligência artificial na profissão.

Em maio, a Ordem publicou um documento com bases para a integração da IA na intervenção psicológica, defendendo uma utilização ética, científica e que garanta a proteção dos utentes.

Já em janeiro, uma tomada de posição conjunta que reuniu a Ordem, instituições de ensino superior e sociedades de psicoterapia defendia que deve ser aprofundado o possível papel da IA como assistente da intervenção psicológica, mas sustentado por investigação rigorosa.

Sofia Ramalho sublinha que a posição da Ordem não representa uma rejeição da tecnologia. “A transformação tecnológica está a acontecer a uma velocidade muito rápida”, afirma, defendendo também formação dos próprios psicólogos para utilizarem estas ferramentas em benefício dos cidadãos.

Também a nível europeu há novas regras. Desde agosto, começaram a aplicar-se novas obrigações do AI Act, o Regulamento Europeu da Inteligência Artificial, que estabelece regras para o desenvolvimento e utilização de sistemas de IA.

Entre as medidas de transparência, determinados chatbots e sistemas interativos têm de informar os utilizadores de que estão a interagir com inteligência artificial e não com uma pessoa.

  • Fonte: Rádio Renascença
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