Incêndios: Autoridades estão a avaliar fita do tempo do fogo de Carrazeda de Ansiães
- 04/09/2026 11:24
- Redação
O secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, afirmou esta sexta-feira que a "fita do tempo" do incêndio que deflagrou em Torre de Moncorvo e alastrou a Carrazeda de Ansiães está a ser analisada, depois de o fogo ter consumido mais de 3.600 hectares.
"É legítimo que um grupo de cidadãos se manifeste e que nos faça chegar as suas preocupações referentes a este incêndio. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil [ANEPC] está a analisar o que foi o desenrolar do incêndio neste teatro de operações e nos fará chegar as suas conclusões após a análise à fita do tempo do teatro de operações", afirmou Rui Rocha.
O governante referia-se ao abaixo-assinado promovido por moradores de Vilarinho da Castanheira e Pinhal do Douro, em Carrazeda de Ansiães, que contestam a atuação do comando sub-regional do Douro da Proteção Civil durante o combate ao incêndio, entre 16 e 19 de agosto.
Na quinta-feira, em Boticas, Rui Rocha já tinha afirmado que, independentemente da entrega da petição, seria feita uma avaliação "daquilo que também foi essa ocorrência para perceber se há alguma coisa que, de facto, não correu bem".
"Esse é o nosso objetivo é de estar no terreno e perceber o que é que aconteceu, e se houve alguma coisa que não correu bem, ou correu mesmo mal, como é que vamos melhorar", sublinhou.
Rui Rocha explicou que a análise da fita do tempo de um incêndio que demorou três ou quatro dias a ser dominado envolve muita informação.
Os dados estão a ser trabalhados a partir do registo do comando nacional e terão de ser cruzados com a informação dos comandantes sub-regionais e dos responsáveis que estiveram no local.
O incêndio começou em 16 de agosto, na freguesia de Cabeça e Boa, em Torre de Moncorvo, tendo posteriormente alastrado a localidades vizinhas de Carrazeda de Ansiães.
O fogo deixou sobreirais, olivais, apiários, vinhas e outras culturas destruídas, provocando prejuízos avultados, segundo relatos de proprietários à Lusa.
A área ardida nos dois concelhos está estimada em mais de 3.600 hectares, embora Rui Rocha tenha sublinhado que o valor ainda terá de ser aferido.
"Vamos fazer o nosso trabalho porque o incêndio terminou há 10 ou 11 dias e, se nos forem suscitadas questões, as respostas serão dadas formalmente e a quem as solicitar", vincou.
"Isto Não Fica Assim" é o nome do movimento criado pelos moradores de Vilarinho da Castanheira e Pinhal do Douro.
O porta-voz, Pedro Correia, que perdeu 100 oliveiras e reservas no turismo, estimou os seus prejuízos em "quatro mil euros".
O responsável criticou a Proteção Civil por "desconhecer" o território e por recorrer à política do "deixa arder".
À Lusa, Pedro Correia afirmou que "havia meios" no terreno, mas estavam "parados", considerando que o "aparato", na prática, "não servia de nada".
Perante os prejuízos provocados pelo incêndio, o movimento decidiu avançar com um abaixo-assinado que pretende entregar ao ministro da Administração Interna.