Sobe para 1.295 o número de mortos nas cheias no Nepal após resgate de dois homens com vida

Sobe para 1.295 o número de mortos nas cheias no Nepal após resgate de dois homens com vida

  • 04/09/2026 11:11
  • Redação

O número de mortos nas devastadoras cheias no Nepal subiu para 1.295, enquanto o número de desaparecidos desceu para 4.898, segundo o mais recente balanço divulgado pelas autoridades, após o resgate com vida de dois homens que estiveram dez dias encurralados num túnel.

Segundo o relatório mais recente da polícia nepalesa, entre os 4.898 desaparecidos estão pelo menos 618 estrangeiros.

Do lado chinês, a comunicação social estatal noticiou esta sexta-feira 31 mortos e 531 desaparecidos no Tibete, também fortemente afetado pelas inundações.

O balanço provisório nos dois países é agora de 1.326 mortos e 5.429 desaparecidos.

A atualização dos números no Nepal e no Tibete coincidiu com um momento de esperança na central hidroelétrica Trishuli 3A, onde as equipas de emergência conseguiram resgatar com vida dois trabalhadores.

Os homens ficaram encurralados depois de água, lama e escombros soterraram o complexo.

Um dos trabalhadores resgatados, Kabir Maharjan, está internado em estado crítico numa unidade de cuidados intensivos de um hospital militar em Katmandu, devido a hipotermia grave e exaustão extrema dos membros.

O outro trabalhador, Sanjay Sah, encontra-se estável. Durante o período em que esteve retido, contou que conseguiu comunicar, através de gritos, com várias pessoas que se encontravam nas proximidades.

Entre os desaparecidos no Nepal estão três cidadãos portugueses, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa.

Na China, um português está também entre os desaparecidos no Tibete, numa lista anteriormente divulgada pelas autoridades chinesas que incluía 261 cidadãos de 23 países.

A identificação dos mortos continua a ser um dos maiores desafios para o Nepal. Das 1.295 vítimas mortais recuperadas, incluindo 121 menores, 1.263 continuam por identificar.

Os peritos forenses intensificaram a recolha de amostras de ADN e já reuniram 2.106 perfis genéticos de mortos e familiares.

Os meios de comunicação social estatais chineses nunca divulgaram os nomes dos desaparecidos nem transmitiram imagens que mostrassem as reações das respetivas famílias.

No Nepal, pelo contrário, a polícia disponibiliza contagens diárias atualizadas, por vezes várias vezes ao dia, e as autoridades divulgam os nomes dos desaparecidos, incluindo os estrangeiros.

As cheias repentinas de 26 de agosto, descritas por observadores locais como um dos piores desastres de que há memória no Nepal, fizeram o nível da água do rio Trishuli subir entre 15 e 18 metros acima do normal.

A subida das águas destruiu povoações ao longo de um troço de 72 quilómetros das margens do rio, provocando também danos significativos em centrais hidroelétricas e outras infraestruturas.

A catástrofe destruiu igualmente o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, entre o Nepal e a China, uma rota essencial para o comércio bilateral, e afetou dezenas de povoações.

A tragédia foi desencadeada pelo desprendimento de uma massa de gelo e rochas da face norte de Langtang Lirung, o cume mais alto da cordilheira do Langtang Himal, uma subcordilheira dos Himalaias nepaleses.

O local situa-se a sudoeste do pico de Shishapangma, a nordeste de Katmandu e a cinco quilómetros a sul da fronteira com o Tibete.

As operações de busca e salvamento continuam nas zonas afetadas, depois de a recuperação das telecomunicações ter permitido às autoridades obter informações sobre comunidades que permaneceram isoladas durante vários dias.

  • Fonte: Rádio Renascença
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