Ministra do Ambiente rejeita construção de novos aterros sanitários no país
- 04/09/2026 19:51
- Redação
"Não vamos construir novos aterros, porque temos que diminuir a percentagem [de deposição de resíduos em] aterro", afiançou a governante aos jornalistas, antes da sessão oficial de abertura do festival Castro Mineiro, em Castro Verde, no distrito de Beja.
O documento, que já tinha sido aprovado na generalidade em abril, tendo ficado em discussão pública, que incluiu a audição de diversas entidades, define como objetivo nacional chegar a ano de 2035 com apenas 10% dos resíduos depositados em aterro.
A estratégia engloba medidas de prevenção, alteração de comportamentos, da separação do lixo e diferentes soluções de tratamento, prevendo um investimento global de 2,3 mil milhões de euros, com um investimento público de 1,6 mil milhões, entre 2026 e 2030.
Segundo a ministra do Ambiente, trata-se de uma estratégia de investimento a curto, médio e longo prazo até 2034, para resolver os problemas dos resíduos em Portugal, tendo vários eixos.
Entre estes, destacou a redução da quantidade de resíduos produzidos e a implementação de estratégias para reutilização, reciclar e reutilizar, nomeadamente através da produção de biometano.
Maria da Graça Carvalho disse ainda estar a ser considerada, no âmbito da estratégia "Terra +", a hipótese da valorização energética [de resíduos] para algumas regiões em que a situação é ainda mais complexa do que o resto do país.
É o caso do Algarve, que tem, neste momento, os dois aterros praticamente cheios e uma produção de resíduos que é o dobro da média nacional, disse, confirmando estar em avaliação a possibilidade de ser construída uma incineradora na região.
De acordo com a ministra do Ambiente, as novas incineradoras são muito diferentes do que eram no passado, muito mais limpas, existindo casos como o de Copenhaga, na Dinamarca, que tem uma infraestrutura destas no centro da cidade.
Por isso, anunciou, a Agência Portuguesa para o Ambiente vai lançar um estudo a 15 de outubro, para ver a melhor tecnologia que se adapta ao Algarve e a melhor localização.
Ainda assim, a governante frisou tratar-se de uma solução cara, que só em último caso é que deve ser utilizada.