Tribunal chumbou uso de bens de Xuxas pedidos pela direção de Luís Neves
- 04/09/2026 20:23
- Redação
Em causa, estão as quase três dezenas de bens levadas da casa do traficante de droga e arguido Rúben Oliveira, conhecido por Xuxas, condenado a 20 anos de prisão na primeira instância e que aguarda o resultado do recurso.
Na lista de bens estão as televisões, algumas no valor de 17 mil euros, equipamentos de ginásio, sofás e cadeiras.
Em reação, a Judiciária disse não poder responder se foi ou não informada do despacho por já não ter acesso ao processo, indicando que continua a utilizar os bens “em várias unidades desta polícia”, lê-se na mesma notícia.
“Por já não termos acessos ao processo, desde a altura em que foram finalizadas as investigações por parte da PJ, não nos é possível responder com objetividade a esta questão, neste momento.”
Luís Neves será ouvido às 10h00 de terça-feira na Comissão de Assuntos Constitucionais, antes da discussão da moção de censura, marcada para as 15h00.
Luís Neves e o Governo estão sob pressão há quase dois meses, desde que foi noticiado pelo jornal Nascer do Sol as suspeitas de irregularidades em obras a título privado numa propriedade do ministro em Odemira, nomeadamente no que diz respeito à construção de uma piscina, feitas por um empreiteiro amigo de Neves e que por 17 vezes ganhou contratos de empreitadas para obras na PJ.
Seguiram-se notícias sobre a entrega ao mesmo empreiteiro, João Carvalho, dono da Construbarcelos, de um atrelado apreendido pela PJ na "Operação Pacoba", contra o tráfico de droga, ficando à guarda deste empreiteiro com bidões com químicos no seu interior, os quais Luís Neves disse não terem sido destruídos devido ao elevado custo que isso acarretava e que a PJ não tinha verbas para comportar.
O caso do atrelado motivou a abertura de um inquérito pelo Ministério Público, razão pela qual ficou excluída pelo MJ a abertura de um processo de averiguações no âmbito das auditorias ordenadas.
Luís Neves viu ainda serem levantadas dúvidas sobre não ter entregue à Entidade para a Transparência e ao Tribunal Constitucional as suas declarações de património enquanto liderou a PJ, uma obrigação para todos os detentores de cargos públicos.
Mais recentemente, foi noticiado que Luís Neves conduz um carro apreendido judicialmente no processo que condenou Ruben Oliveira, conhecido por "Xuxas", a 20 anos de prisão por tráfico de droga, algo que o ministro defendeu em declarações na Madeira, durante uma cerimónia da PSP realizada na terça-feira, ter enquadramento legal.