PSD diz que moção do Chega é "deslocada da realidade", Ventura acusa bancadas de falta de "coragem política"

PSD diz que moção do Chega é "deslocada da realidade", Ventura acusa bancadas de falta de "coragem política"

  • 05/09/2026 16:21
  • Redação

Para Hugo Soares, a moção de censura do Chega é "completamente deslocada da realidade" e que André Ventura quer "estar constantemente nas televisões".

Luís Neves será ouvido às 10h00 de terça-feira na Comissão de Assuntos Constitucionais, antes da discussão da moção de censura, marcada para as 15h00.

Em declarações aos jornalistas à margem da festa de rentrée política do PSD de Ponte de Lima, o líder parlamentar do PSD acredita que o objetivo do Chega é pôr o país a "falar daquilo que verdadeiramente não interessa".

"É algo que não acontecia há cerca de 25 anos. Creio, sinceramente, que todas as circunstâncias que hoje o país vive com os salários a aumentarem, os impostos a descerem sucessivamente, o emprego em níveis máximos históricos, o desemprego em mínimos históricos, com as pessoas a saberem que têm um governo que está a transformar o país, esta moção de censura é completamente deslocada da realidade", reforçou o representante do PSD.

A moção de censura do Chega ao Governo vai ser discutida no parlamento na terça-feira e já tem rejeição garantida, uma vez que precisaria de 116 votos a favor para ser aprovada e fazer cair o Governo, hipótese já afastada de forma clara por PS e IL.

"Há nisto da política portuguesa uma espécie de esquizofrenia de coragem, que é: todos, quando veem que o Chega tem razão, "vamos lá atrás dele", que é para não perder a opinião pública. Mas como é que votam agora? Contra", disse Ventura aos jornalistas, em Loures, no âmbito de uma iniciativa de 'rentrée' da distrital de Lisboa do Chega.

Sobre a consequência de fazer cair o Governo, caso a moção de censura fosse aprovada, André Ventura afastou essa intenção, explicando que não há outro instrumento que o parlamento disponha para afastar um ministro de funções.

"Se o Chega está no centro das atenções é porque os outros [partidos] não tiveram nem coragem nem a capacidade de perceber que este era um assunto que não tinha que ver com discussão meramente política, não tinha que ver com discordar do ministro A ou do ministro B, tinha a ver com isto: decência. Onde não há decência, não há democracia. Onde não há decência, não há liberdade."

A moção de censura do Chega vai ser a primeira ao XXV Governo Constitucional e a terceira a executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro. O documento intitula-se "Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições" e visa responsabilizar o primeiro-ministro pela manutenção no Governo do ministro da Administração Interna.

  • Fonte: Rádio Renascença
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