“A paz, a acontecer, será uma paz forçada”, diz Poejo Torres sobre negociações entre Rússia e Ucrânia
- 05/09/2026 18:33
- Redação
“Está neste momento em execução uma suspensão de hostilidades que não é a mesma coisa que um cessar-fogo temporário”, explica.
A pausa abrange apenas os ataques russos a Kiev e os ataques ucranianos a Moscovo. Fora das duas capitais, os combates continuam. “Todo o restante território está em guerra”, lembra o especialista.
Jared Kushner, conselheiro e genro de Trump, e Steve Witkoff, o enviado especial dos Estados Unidos da América (EUA) para o Médio Oriente, estiveram reunidos durante cerca de três horas com Putin no Kremlin. Não foram divulgados, para já, resultados concretos das conversações.
Manuel Poêjo Torres acredita que as próximas horas poderão trazer novos desenvolvimentos, mas antecipa uma negociação difícil.
“Teremos provavelmente termos muito duros apresentados ao Presidente ucraniano, termos russos mediados pelos americanos, mas que neste momento nós sabemos que Zelensky não pode aceitar”, considera.
Entre os principais obstáculos continuam a estar os territórios ucranianos ocupados pela Rússia e as condições exigidas por Moscovo para um eventual acordo.
Para o especialista em geopolítica, estas diferenças tornam difícil encontrar um compromisso que seja aceite pelas duas partes.
Manuel Poêjo Torres considera que as ações militares russas são também incompatíveis com uma verdadeira vontade de chegar rapidamente à paz.
“Não vejo grande solução para esta situação”, afirma, acrescentando que Moscovo continua a atacar território ucraniano ao mesmo tempo que decorrem os contactos diplomáticos.
Na sua análise, mesmo que as negociações acabem por produzir um acordo, este poderá resultar mais da pressão sobre as partes do que de uma aproximação das respetivas posições.
Segundo Poêjo Torres, um eventual acordo poderá dar à Rússia tempo para se rearmar e obrigar a Ucrânia a repensar a sua futura arquitetura de segurança e defesa.
O especialista considera ainda que os EUA mantêm uma importante capacidade de pressão sobre Kiev através do apoio militar norte-americano.