Extrema-direita alcança maioria na Saxónia. O que pode acontecer agora na Alemanha?
- 07/09/2026 02:35
- Redação
Pela primeira vez, desde a II Guerra Mundial, a extrema-direita tem a possibilidade de formar governo num estado federado da Alemanha. A AfD obteve um triunfo histórico na Saxónia-Anhalt. Conseguiu 39 dos 83 mandatos em disputa, numa eleição que teve forte adesão.
Desde logo, há uma consequência imediata e com leitura nacional: a AfD exige eleições antecipadas até dezembro.
Nas últimas horas, a líder da extrema-direita alemã, Alice Weidel, desafiou o chanceler Friedrich Merz, a convocar legislativas antecipadas para facilitar a sua substituição antes do Natal.
Quanto ao governo da Saxónia-Anhalt, o resultado deste domingo aumenta a pressão sobre a União Democrata Cristã, de Friedrich Merz, porque a AfD assume-se como força política que deixou de ser apenas de protesto para conseguir disputar o poder.
Por outro lado, Merz enfrenta outro desafio: manter o cordão sanitário e aceitar alianças cada vez mais amplas com partidos de esquerda, ou admitir entendimentos pontuais com a AfD.
Mas quais são os cenários de governação na Saxónia? O que acontece a seguir?
O caminho matematicamente mais simples seria um acordo a esquerda populista do BSW, que elegeu cinco deputados. Essa junção com a extrema-direita daria uma maioria de 44 lugares. No entanto, o BSW excluiu uma coligação formal com a AfD, embora não tenha afastado entendimentos pontuais.
Outra possibilidade seria uma coligação muito ampla, juntando CDU, SPD, Verdes, Die Linke e BSW. Cinco partidos muito diferentes entre si, mas unidos essencialmente pela recusa de entregar o governo à AfD.
Esta é a primeira vez que a extrema-direita pode formar governo desde a II Guerra Mundial. Alguma vez tinha ganho eleições regionais?
Turíngia, 2024. Nessas eleições, a AfD já tinha sido a força mais votada. O que torna histórico o resultado de ontem é a sua dimensão: estes cerca de 44% representam o melhor resultado eleitoral da AfD num estado alemão e mais do que duplicam os 20,8% obtidos na Saxónia-Anhalt em 2021.
É também a primeira vez que a extrema-direita vence neste estado e fica tão perto de conseguir governar.
Se vier a integrar ou liderar o executivo regional, então poderá acontecer uma repetição da História, porque seria a primeira vez desde 1945 que uma força classificada como de extrema-direita assumiria responsabilidades governativas num estado alemão.
No entanto, mesmo que a AfD fique fora do governo regional, a vitória deverá influenciar o debate político nacional sobre imigração, economia e relação com a Rússia e aumentar as divisões dentro dos partidos tradicionais.
Desde logo, a mobilização eleitoral que foi de quase 78%. Em 2021, tinha sido de 60%. Isto mostra que o crescimento da extrema-direita não resulta apenas da abstenção dos adversários. As análises à votação apontam para a insatisfação com os partidos tradicionais como principal fator da escolha dos eleitores. E a CDU, do chanceler Friedrich Merz, sofreu diretamente esse voto de protesto, passando de 37% para 17%, perdendo todos os círculos eleitorais que tinha conquistado diretamente em 2021.