Pelo menos 25 mortos após autocarro cair numa ravina na ilha do Fogo. O que se sabe?

Pelo menos 25 mortos após autocarro cair numa ravina na ilha do Fogo. O que se sabe?

  • 07/09/2026 05:35
  • Redação

Perto do anoitecer, no sábado, dezenas de alunos da ilha do Fogo seguiam a caminho de casa quando o autocarro saiu da estrada e caiu numa ravina de 30 metros de altura.

Mas o que levou a este acidente? Os pneus rebentaram? O limite de lotação da viatura foi ultrapassado? E a inclinação do terreno?

Apesar de algumas questões não terem (ainda) uma resposta, neste explicador esclarecemos o estado de saúde dos sobreviventes, as suspeitas do que poderá ter motivado o acidente, segundo as testemunhos, e qual o tempo de luto municipal.

O motorista da escola gostava sempre de organizar uma viagem para os alunos se despedirem das férias de verão e viajaram no sábado até Chã das Caldeiras, a pouco mais de 15 quilómetros do penhasco trágico.

A bordo do Toyota Coaster, seguiam 39 pessoas. Após as operações de socorro e resgate no penhasco de difícil acesso, com ajuda da Cruz Vermelha do país, 13 menores ficaram internados, com idades entre os seis e os 11 anos.

"Alguns foram submetidos a intervenções cirúrgicas e encontram-se entubados e com respiração assistida", lê-se.

Segundo Miranda, as equipas do hospital regional estão agora a esperar por uma "evolução nas próximas 24 a 48 horas para ver o desfecho" e está confiante de que vão "conseguir salvar estas quatro vidas".

Na lista de feridos internados politraumatizados, conta-se uma mulher grávida "cujo estado de saúde e o do bebé são considerados estáveis".

Apesar de ainda não haver respostas definitivas, populares e até figuras oficiais cabo-verdianas já começaram a especular sobre as três possíveis causas da tragédia.

Em entrevista à RTP, a diretora da Televisão de Cabo Verde (TCV) disse que o acidente se deveu a um "rebentamento do pneu", o que levou à perda de controle da viatura numa "curva um tanto ou quanto acentuada".

Mas as equipas de investigação também estão a tentar apurar se a lotação da viatura era, no momento do acidente, superior ao recomendado.

Ou seja, o minibus estava a regressar "com sete pessoas acima da capacidade prevista", mas admite-se que "sobrelotação em número de passageiros não significa necessariamente excesso de peso".

"Como a maioria dos ocupantes eram crianças e adolescentes, o peso total transportado poderá ter permanecido dentro dos limites técnicos do veículo", explica o jornal.

Nestas contas, resta uma última hipótese: a inclinação da estrada pode ter atraiçoado o motorista.

"Muitas estradas em Cabo Verde têm muitas curvas e estamos a tomar notas, ouvir, observar para refletir sobre esta questão e posicionar com serenidade, mas de forma rápida", esclareceu o chefe do Governo do país.

Porém, as investigações ainda estão a decorrer e um relatório final será apresentado nos próximos dias a determinar a causa com exatidão.

O Presidente da República do país, José Maria Neves, declarou dois dias de luto municipal e realizou uma reunião extraordinária no domingo para deliberar sobre os apoios aos familiares das vítimas.

Já o portal "Onda Kriolu" também lamentou a morte dos "filhos do Fogo", jovens estudantes das escolas de Curral Grande e Ponta Verde.

"Tinham ido a Chã das Caldeiras passar um dia de convívio, amizade e alegria, levando consigo memórias que deveriam ser apenas o início de muitas outras", lê-se na publicação na rede social Facebook.

As cerimónias fúnebres já foram realizadas durante a madrugada e a manhã de domingo com os familiares, enterrando as vítimas no cemitério de São Lourenço.

  • Fonte: Rádio Renascença
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