Deportações, Rússia e "milícias" nas ruas: o programa da AfD para mudar a Saxónia-Anhalt

  • 07/09/2026 15:39
  • Redação

O documento prevê mudanças profundas na imigração e na segurança interna, mas também na educação, cultura e política familiar, além de uma inversão da política seguida em relação à Rússia.

No capítulo intitulado “Imigração e remigração”, o partido de extrema-direita afirma que a Saxónia-Anhalt precisa de uma “mudança de 180 graus” na política migratória e considera necessária uma “ofensiva de deportação e remigração”.

A AfD quer abandonar programas voluntários de acolhimento de migrantes e restringir a entrada na Saxónia-Anhalt de pessoas provenientes de países terceiros considerados seguros.

O partido propõe uma estrutura dedicada a coordenar deportações, com participação dos ministérios regionais do Interior e da Justiça, da polícia e das autoridades municipais, além de um aumento dos voos destinados a retirar pessoas do território alemão.

A AfD pretende igualmente criar pelo menos 300 centros para detenção de pessoas que aguardam deportação. Entre as possibilidades apresentadas está a transformação do centro de acolhimento de Stendal numa instalação para esse efeito.

A AfD quer obrigar requerentes de asilo e refugiados a realizar trabalhos de interesse público e prevê que os distritos da Saxónia-Anhalt apliquem este princípio em todo o território.

Nos centros de primeiro acolhimento, o programa aponta para tarefas como a limpeza e a manutenção das instalações. Noutro capítulo, dedicado às florestas, prevê igualmente a utilização de requerentes de asilo em trabalhos de reflorestação e manutenção florestal.

A AfD pretende ainda privilegiar prestações em espécie, em vez de pagamentos em dinheiro, e rever anualmente a situação das pessoas abrangidas por proteção.

A AfD quer colocar crianças refugiadas e requerentes de asilo em turmas especiais, separadas das restantes, enquanto não demonstrarem conhecimentos suficientes de alemão.

O programa prevê que essas turmas incluam também conteúdos destinados a preparar um eventual regresso aos países de origem.

O partido quer também pôr fim ao atual modelo de inclusão de alunos com deficiência no ensino regular e reforçar as escolas de ensino especial. O programa considera que a inclusão “falhou em toda a linha” e sustenta que alunos com necessidades educativas especiais podem “paralisar o progresso das aulas”.

A AfD quer promover no Bundesrat alterações que retirem aos cidadãos da Ucrânia o acesso às atuais prestações sociais e anuncia uma “ofensiva de remigração para a Ucrânia”.

O programa contesta também a proteção generalizada concedida a cidadãos ucranianos, argumentando que existem partes do país onde estes poderiam permanecer.

Na área da educação, a AfD sustenta que a Alemanha, e particularmente a Saxónia-Anhalt, tem um “grande interesse” económico e cultural em boas relações com a Rússia.

O partido pretende manter e, se possível, aumentar a oferta de russo nas escolas. Propõe ainda retomar os intercâmbios escolares com a Rússia e desenvolver novos programas de contacto entre estudantes.

A mudança seria também económica e energética. A AfD quer promover no Bundesrat o fim das sanções energéticas contra a Rússia, normalizar as relações comerciais entre os dois países e retomar as importações de energia russa.

O programa defende ainda a reparação dos troços danificados dos gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2 e a utilização da parte intacta do Nord Stream 2 para voltar a receber gás.

Na segurança interna, o partido pretende aumentar o efetivo policial da Saxónia-Anhalt para pelo menos 7.500 agentes e equipar a polícia com armas de eletrochoque. Quer ainda alterar as regras aplicadas depois da utilização de armas de fogo por agentes, limitando a abertura de processos disciplinares aos casos em que existam suspeitas concretas de comportamento indevido.

Entre as propostas está a criação de uma espécie de “milícia” de cidadãos, embora não seja essa a designação usada pela AfD. O partido chama-lhe “guarda cívica voluntária” e apresenta-a como um “terceiro pilar da arquitetura de segurança local”.

Segundo o modelo descrito no documento, os participantes ficariam subordinados aos serviços municipais, receberiam formação e uma pequena compensação financeira e poderiam auxiliar as autoridades locais e a polícia.

A religião é outro dos campos em que a AfD promete mudanças. Num ponto do programa intitulado “Não ao muezim e ao minarete”, o partido diz querer utilizar as possibilidades legais disponíveis para limitar a influência do Islão e rejeita o ensino religioso islâmico nas escolas.

O partido contesta também a construção de mesquitas com elementos arquitetónicos que lhes deem particular visibilidade e rejeita que a liberdade religiosa implique um direito ao chamamento público do muezim.

A AfD quer que as consultas de aconselhamento realizadas antes de uma interrupção voluntária da gravidez incluam uma ecografia, quando não estejam em causa razões médicas ou criminológicas.

Na cultura, a AfD quer retirar financiamento regional ao Centro Alemão para a Perda de Bens Culturais. A instituição dedica-se, entre outras áreas, à investigação da proveniência de bens culturais e à identificação de objetos roubados aos seus proprietários durante o período período nazi.

O programa contesta o financiamento de investigações quando não exista previamente um pedido de restituição. A AfD associa essa investigação ao que descreve como manutenção artificial de um “sentimento de culpa” e pretende deixar de a financiar nesses casos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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