Caso Luís Neves: "A arrogância pode não ser acompanhada por autoridade moral"
- 07/09/2026 16:28
- Redação
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), padre Lino Maia, alerta para o facto de "a arrogância poder não ser acompanhada por autoridade moral".
"A instabilidade é sempre, ou é quase sempre, má, porque a instabilidade gera, de facto, instabilidade e precariedade. Agora, a situação que estamos a viver também não é fácil", diz Lino Maia
Reconhecendo capacidade de liderança ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, o presidente da CNIS não deixa de sublinhar que a arrogância "pode levar a uma degradação das instituições e favorecer o populismo".
"Eu não me quero pronunciar sobre a competência do senhor ministro e sobre o que deve fazer o senhor primeiro-ministro. Reconheço que o senhor ministro revela, de facto, liderança, determinação, o que é importante, mas alerto para o facto de a arrogância poder não ser acompanhada por autoridade moral”, afirma.
“Isto pode levar a uma degradação das instituições e favorecer também um certo populismo, o que não é bom para uma sociedade em que é necessária estabilidade, é necessária autoridade moral, é necessária competência e é importante salvaguardar e valorizar, aprofundar as instituições públicas”, acrescenta.
Para o presidente da CNIS, é "importante clarificar e enfrentar as situações" que envolvem o ministro da Administração Interna.
“Eu não duvido de que as autoridades públicas estejam, e quando digo autoridades públicas não quero situar-me apenas na questão do senhor ministro da Administração Interna, mas eu não duvido de que as autoridades públicas estejam do lado do bem, mas os fins não justificam os meios, e penso que é, de facto, importante clarificar, falar a verdade, enfrentar as situações para caminharmos para a frente”, sublinha.
O padre Lino Maia reforça a ideia de que todas as polémicas que o país político tem vivido alimentam o populismo: "Parece que os partidos não estão a perceber que estas situações vêm favorecendo o populismo, e eu tenho medo do populismo.”
“Nós precisamos de ter autoridades com autoridade; autoridade moral, ética, precisamos ter, de facto, desígnios, e o populismo desvia-nos dos desígnios, desvia-nos do reconhecimento de que precisamos de autoridades com autoridade moral”, conclui Lino Maia.