Aumento dos combustíveis "absolutamente insuportável": agricultores e empresas pedem medidas
- 07/09/2026 17:51
- Redação
Agricultores e empresas pedem medidas ao Governo, no dia em que os preços dos combustíveis atingiram máximos históricos, acima dos dois euros por litro.
O gasóleo simples teve esta segunda-feira uma subida líquida de 12 cêntimos por litro, enquanto a gasolina simples 95 aumentou nove cêntimos por litro.
Os agricultores querem uma redução efetiva do preço dos gasóleo verde e João Revez dá o exemplo das dificuldades por que passam.
“Vamos entrar numa época de preparação de terras para as sementeiras de outono e de inverno. Dois tratores médios gastam 20 litros/hora, cada um. São 320 litros, numa jornada de oito horas de trabalho, é o volume suficiente para um carro de gama média, a diesel, fazer seis mil quilómetros. Ao preço que nós temos hoje o combustível agrícola, que andará por volta de 1,80 euros por litro, está a ver a despesa que isso acarreta para uma exploração agrícola.”
Esta segunda-feira, o ministro da Economia voltou a dizer que o Governo está a preparar uma bonificação do gasóleo agrícola para travar impacto nos alimentos.
João Revez diz que não comenta anúncios, mas apenas medidas concretas que se traduzam no apoio que os agricultores sintam,
“O que queremos é um preço de gasóleo agrícola que seja acessível para a execução das nossas tarefas, o que andará à volta de 1 euro, e nós temos o gasóleo agrícola a cerca de 1,80 euros”.
A Confederação das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME), pela voz de Jorge Pisco, defende, por seu lado, que os preços dos combustíveis sejam fixos.
“Exigimos um controlo efetivo e urgente do mercado energético. Não pode continuar a haver este aumento desmesurado dos combustíveis. É necessário a fixação de preços que trave a especulação e proteja empresas e consumidores, e o Governo nada tem feito.”
Com o aumento dos combustíveis e o fim do apoio extraordinário do Governo, a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) avisa que, se os custos não forem imputados aos clientes, as empresas do setor vão entrar em insolvência.
André Matias de Almeida lembra que, com o início da guerra no Médio Oriente, o preço dos combustíveis duplicou e fez disparar os custos das empresas.
“As empresas não vislumbram outra solução que não seja o aumento imediato do preço junto dos clientes, porque é a única forma que tem de repassar um custo que não conseguem suportar”, defende.
“Antes da guerra, uma empresa que comprasse, por mês, um milhão de euros de combustível por um milhão de euros, passou a comprar hoje por dois milhões de euros. É um aumento de 100% numa rubrica mensal, que é absolutamente insuportável”, enumera.
A governante sublinhou que, desde o início da guerra com o Irão, em fevereiro deste ano, "todo o valor arrecadado com o aumento do IVA foi utilizado para abater no ISP [Imposto sobre Produtos Petrolíferos], cerca de 700 milhões de euros”.
A ministra não anunciou novos apoios às famílias e empresas portuguesas e sublinhou a importância de manter o rigor orçamental.