A inteligência artificial e o humanismo
- 08/09/2026 01:33
- Redação
A encíclica do Papa Leão XIV Magnifica Humanitas, publicada em Maio, tem como subtítulo “Sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da IA”. Não existe qualquer hostilidade da Igreja à IA. Mas nos meios da Igreja notam-se dois tipos de preocupação suscitada por esta novidade tecnológica.
Por um lado, está o facto de a IA dar a um pequeno grupo de pessoas um poder tecnológico enorme, que importa assegurar que é utilizado em função do bem comum. Por outro lado, a IA não deve contribuir para fortalecer o paradigma tecnocrático, ou seja, a IA não dispensa uma séria reflexão espiritual.
Em pessoas ligadas a Sillicon Valley e à sua avançada tecnologia nota-se um entusiasmo com os últimos avanços na IA, o que é normal. Só que alguns desses entusiastas vão mais longe e parecem ver no progresso tecnológico a superação dos limites da condição humana. Daí o imperativo de salvaguardar o humano, até porque a tecnologia nunca é neutra.
Tendências como o transumanismo e o pós-humanismo apontam para uma negação da finitude humana. Ora uma coisa é congratularmo-nos com os avanços da ciência, nomeadamente com as vitórias conseguidas no diagnóstico e no tratamento de inúmeras doenças; outra coisa é sugerir que o progresso científico e técnico conseguirá eliminar a finitude que caracteriza a condição humana. No fundo, trata-se de criar super-homens. É para essa ilusão que alerta o Papa Leão XIV na encíclica Magnifica Humanitas.
Note-se que o Papa Leão não esquece que a Igreja foi lenta e tardia a condenar a escravatura. Agora, a Igreja está atenta a correntes de opinião que, no limite, podem sacrificar a dimensão humana.