Alemanha envia mais mísseis Patriot para a Ucrânia e alerta para novos ataques russos no inverno

Alemanha envia mais mísseis Patriot para a Ucrânia e alerta para novos ataques russos no inverno

  • 08/09/2026 11:51
  • Redação

A Alemanha vai enviar para a Ucrânia mais mísseis de defesa aérea Patriot retirados das suas reservas nacionais, numa altura em que Berlim alerta para um possível aumento dos ataques russos contra infraestruturas ucranianas durante o inverno, segundo a Reuters.

O anúncio foi feito esta terça-feira pelo ministro alemão da Defesa, Boris Pistorius, durante uma videoconferência da coligação internacional de países que apoiam militarmente a Ucrânia.

Pistorius afirmou ter decidido avançar com a entrega urgente de mísseis intercetores PAC-2, utilizados pelos sistemas Patriot para combater ataques aéreos, incluindo mísseis balísticos.

Segundo Pistorius, a Rússia, perante o avanço lento das suas forças na frente de batalha, estará a procurar atingir a capacidade económica e as infraestruturas críticas da Ucrânia através de ataques aéreos.

“Infelizmente, podemos esperar que os ataques aéreos russos voltem a aumentar quando as temperaturas baixarem e, então, os danos serão ainda maiores”, afirmou o ministro, citado pela Reuters.

Entre os possíveis alvos estão instalações portuárias, centrais elétricas e outras infraestruturas civis, numa estratégia que, segundo Berlim, procura enfraquecer a capacidade de funcionamento da economia ucraniana.

Além dos Patriot, a Alemanha anunciou que vai aumentar o fornecimento de mísseis ar-ar e manter as entregas de drones e munições de longo alcance à Ucrânia.

O ministro da Defesa ucraniano, Yevhenii Khmara, revelou que Kiev está a contratar, com o apoio dos aliados, cerca de mil mísseis para os sistemas Patriot. No entanto, a maioria destas unidades só deverá chegar nos próximos anos.

Perante essa situação, Khmara apelou aos países aliados para que disponibilizem imediatamente parte dos seus próprios arsenais, defendendo que os mísseis utilizados agora poderão ser posteriormente substituídos através das futuras entregas já contratadas.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, também apelou aos países aliados para aumentarem o apoio militar à Ucrânia.

Rutte alertou que as vítimas civis da guerra atingiram o nível mais elevado desde maio de 2022 e defendeu que os países devem utilizar mais recursos para reforçar a capacidade de defesa ucraniana.

“Os países têm de ir mais longe. Não temos escolha”, afirmou o secretário-geral da NATO, segundo a Reuters.

O apelo surge numa altura em que a Ucrânia enfrenta uma crescente pressão sobre as suas reservas de defesa aérea. Esta terça-feira, a Rússia voltou a lançar um ataque de grande dimensão contra Kiev, com mísseis e drones, provocando cinco mortos e cerca de 30 feridos, segundo as autoridades ucranianas.

Antes da reunião dos países que apoiam a Ucrânia, Mark Rutte e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram que os Estados-membros chegaram a acordo para permitir que parte de um empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros seja utilizada pela Ucrânia na aquisição de equipamentos essenciais para os sistemas Patriot.

A medida pretende responder à necessidade urgente de reforçar a defesa aérea ucraniana antes da chegada do inverno, período em que Berlim antecipa uma intensificação dos ataques russos.

A Alemanha considera que os sistemas Patriot são particularmente importantes para proteger a Ucrânia contra mísseis balísticos russos, enquanto os aliados procuram acelerar o fornecimento de munições e outros equipamentos de defesa.

O reforço do apoio militar acontece apesar dos esforços diplomáticos para tentar pôr fim à guerra. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou esta terça-feira que os recentes contactos com enviados norte-americanos apresentaram “boas ideias” para as negociações, embora não tenha sido alcançado qualquer avanço decisivo.

  • Fonte: Rádio Renascença
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