PISA. Porque estão os alunos portugueses a perder competências?
- 08/09/2026 13:26
- Redação
Não ficaram bem. Este estudo, realizado a cada três anos, era aguardado com muita expectativa depois dos resultados de 2022, que já tinham revelado um mau desempenho.
Na altura, a pandemia foi apontada como uma das razões para os resultados. Os dados agora divulgados mostram, no entanto, que o desempenho dos alunos voltou a baixar.
Em leitura, os resultados são piores do que no ano 2000. Em matemática, Portugal recuou para níveis de 2006. Nas ciências, a queda não foi tão acentuada, mas, ainda assim, o desempenho dos alunos que no ano passado tinham 15 anos ficou abaixo do registado pelos alunos que frequentavam a escola em 2015.
Portanto, os alunos têm menos competências, mas como é que isso está quantificado?
Uma das grandes vantagens do PISA é permitir fazer comparações ao longo dos anos. Este relatório analisa a década entre 2015 e 2025 e mostra que aumentou o número de alunos abaixo do nível 2, considerado o mínimo necessário para participar em sociedade.
Em comparação com 2015, a proporção de alunos abaixo do nível 2 de proficiência aumentou 11 pontos percentuais em matemática e leitura e sete pontos percentuais em ciências.
Ou seja, aumentou o número de alunos com desempenhos muito fracos nas três grandes áreas avaliadas pelo estudo.
Olhando para os números globais, qual a percentagem de alunos considerados muito fracos?
Em matemática, são 35%. Em leitura, 28%. E, em ciências, 24% dos alunos estão abaixo do nível 2. O PISA divide os alunos em seis níveis de proficiência.
Os países com maiores quebras em leitura também registaram descidas significativas em matemática e ciências. Os resultados em leitura baixaram mais entre os alunos de famílias socioeconómicas mais favorecidas.
Entre as razões apontadas estão a digitalização, o aumento do tempo passado em frente a ecrãs e a queda das taxas de leitura por prazer.
O relatório destaca ainda que a proporção de alunos que passam rapidamente pelos textos e dão respostas rápidas, mas erradas, quase duplicou entre 2018 e 2025.
Vamos olhar para o outro lado da tabela: para os bons alunos, qual a percentagem?
Há 9% de alunos com elevado desempenho nas três áreas em simultâneo. A média da OCDE é de 11,9%.
O estudo foi além dos 38 países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Foram testados mais de 760 mil alunos de 91 países.
Singapura ocupa o primeiro lugar em leitura e o segundo em matemática e ciências. A China lidera em ciências e matemática, embora apenas quatro províncias tenham participado no estudo.
Excluindo estes países que não integram a OCDE, o Japão lidera nas três áreas. A Coreia do Sul surge em segundo lugar em matemática, leitura e ciências.
Fernando Alexandre reconhece que os resultados são desapontantes e considera que precisam de ser estudados para que possam ser introduzidas mudanças.