Moção de censura: Montenegro segurou Neves e usou pensões para recuperar iniciativa política

  • 08/09/2026 14:37
  • Redação

À terceira não foi de vez. Luís Montenegro superou uma moção de censura pela terceira vez desde que é primeiro ministro, a primeira que enfrentou desde que venceu as legislativas de 2025.

O dia no Parlamento foi duro para Luís Neves. O ministro da Administração Interna continua no olho do furacão político e a oposição pressiona para vê-lo demitido. O Chega até cantou "Demissão" no plenário, mas Montenegro não quer e está focado em desempatar o Governo desta crise política e ganhar iniciativa.

André Ventura arrancou a questionar: "O que nos trouxe até aqui?" e a dar a resposta, falando numa "degradação sem precedentes" na democracia portuguesa.

O líder do Chega afirma que Luís Neves se tornou o "xerife da República" e critica a postura de "quero, posso e mando" do atual ministro da Administração Interna. André Ventura acredita que "os portugueses desconfiam" que o PS está também "capturado por Luís Neves".

"Como é que depois de tudo isto ainda tem a falta de vergonha de estar sentado na bancada do Governo?", remata André Ventura. Depois de críticas distribuídas entre PS e PSD, o líder do Chega termina dizendo: "Em nome de Deus, vá-se embora".

A isto, Montenegro respondeu dizendo que o Chega vive para as "eleições, moções, demissões", acrescentando que se tratam de "falsos papões e outros chavões com que enchem os seus sermões e ocupam os seus serões".

O líder do PS, José Luís Carneiro, insistiu no argumento que tem utilizado para não viabilizar a moção de censura: "Os portugueses não querem uma crise política, querem que o Governo governe".

O secretário-geral socialista resumiu assim a abstenção do PS: "O voto do PS censura o Governo e bloqueia uma crise política".

O líder do PS esclareceu que o partido "não pede a demissão" de Luís Neves, mas reconhece que o atual ministro da Administração Interna está agora mais fragilizado: "Os factos conhecidos diminuem-lhe a autoridade política".

Mariana Leitão foi "direta ao assunto", ou seja, a Luís Neves. A líder da IL recusa-se a "arrastar o país para uma crise política", justificando o voto contra na moção de censura, mas questiona o primeiro-ministro: "Porque não demite o ministro?"

A líder da IL considera o caso de Neves "demasiado grave", alertando que o primeiro-ministro "está a amarrar o seu destino ao do senhor ministro da Administração Interna".

"Ou sai pelo próprio pé ou tem de ser forçado a sair", avisou ainda Mariana Leitão, questionando Montenegro: "Foi o ministro que perdeu a autoridade ou o senhor primeiro-ministro que a perdeu de vez?".

Os comunistas seguiram a sua linha habitual. Paulo Raimundo começou a intervenção do PCP a dizer a Luís Montenegro: "A sua propaganda esbarra na realidade, em que salários, rendimentos e pensões são comidos pelo aumento brutal do custo de vida".

O líder do PCP argumenta que os pensionistas "não precisam de comprar alimentos só em dezembro" e questiona o primeiro-ministro a razão de não influenciar a Galp a baixar o preço da bilha de gás. "Só há uma coisa que não tem coragem de penalizar, são os lucros da Galp e das 'Galps' deste país", atirou Raimundo.

O novo co-porta-voz do Livre, Jorge Pinto, dirigiu-se ao ministro da Administração Interna para dizer que foi "imprudente".

Pediu ao primeiro-ministro e ao próprio Luís Neves que questionem "a partir de que momento" a manutenção do ministro " faz mais mal do que bem" às instituições.

Paulo Núncio, líder parlamentar do CDS, faz a defesa do executivo. "O Governo está a cumprir e a cumprir bem".

O centrista afirma que André Ventura "é só fogacho" e considera que a moção de censura do Chega "é só mais uma".

Andreia Galvão, deputada do Bloco de Esquerda, usou o caso de Luís Montenegro para atacar Luís Neves ao falar do "padrão Spinumviva" que "não é aceitável para o país".

Peço-lhe, sinceramente, demita o ministro da Administração Interna", afirmou Andreia Galvão.

Na vez do Juntos Pelo Povo (JPP), Filipe Sousa defendeu que a moção de censura não é a ferramenta ideal para apurar os factos relacionados com o ministro da Administração Interna e apontou para a eventual Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

"Não queremos condenações na praça pública. Censurar sem esclarecer pode ser precipitação, mas impedir o esclarecimento é alimentar a suspeita", exclamou Filipe Sousa, que rematou que o Parlamento não serve apenas para "proteger maiorias".

A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, entra no debate para interpelar o primeiro-ministro questionando se o ministro da Administração Interna tem "legitimidade" para se manter no cargo.

Ao Chega diz que "não se apaga um incêndio atirando gasolina", criticando a apresentação da moção de censura. A deputada única acusa ainda: O Chega "não perde uma oportunidade para a instabilidade" política".

  • Fonte: Rádio Renascença
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