Educação: Nuno Crato critica "facilidades" após "resultados desastrosos" no PISA 2025

  • 08/09/2026 16:32
  • Redação

Nuno Crato, antigo ministro da Educação, mostra-se preocupado com os resultados do PISA 2025 e alerta que Portugal registou “resultados desastrosos em todas as áreas”.

Nuno Crato defende o regresso das avaliações no final do 4.º e no 6.º anos e sugere que se rasguem as aprendizagens essenciais introduzidas pelo Governo PS durante os tempos da “Geringonça”.

São resultados desastrosos em todas as áreas, que vêm na continuação de outros resultados também desastrosos. Nós estamos praticamente em queda livre desde 2016, e essa queda livre verifica-se em todas as áreas, é confirmada pelos dados do TIMSS, que é outro inquérito internacional, e pelos dados do PIRLS.

Sempre que temos inquéritos internacionais, desde há uma década para cá, esses inquéritos mostram-nos que as coisas não estão a funcionar bem.

Se nós compararmos a política seguida, entre 2002 e 2015, que foi uma política de progressiva atenção aos resultados, de melhoria do currículo, de procura de um currículo mais exigente, de avaliação dos alunos, se compararmos essa política com a política seguida a partir de 2016, que foi uma política de menos exigência curricular, substituindo as metas curriculares por aprendizagens essenciais, que são documentos muito vagos, menos avaliação, foram abolidas as provas no quarto e no sexto plano de escolaridade, foram desprezados os exames.

Vemos que houve de facto duas políticas, há uma política entre 2000 e 2015, de atenção aos resultados, de exigência, há uma política após 2016, que é uma política de contrariar essa exigência e essa atenção aos resultados. Facilidades.

Defende um regresso dos exames no final do quarto ano e do sexto ano, como o senhor professor introduziu em 2012?

Bem sequer são necessários exames no sentido de exames tradicionais, mas são necessárias avaliações com algum impacto sobre os alunos e bem feitas, por um organismo tecnicamente preparado e independente, coisa que neste momento não existe. E essas avaliações têm de estar ancoradas num currículo claro e exigente. Se ele não existir, de pouco servem.

Por exemplo, uma coisa que se poderia fazer é: os alunos que têm resultados muito fracos nos exames de quarto ano, podem em seguida ter uma época especial, ter um trabalho especial dentro da sua escola, ter um acompanhamento especial no ano seguinte. Coisas desse tipo, mas coisas claras, bem determinadas.

Ao nível dos currículos, pensa que deveria haver também uma revisão? Este Governo já veio dizer que queria currículos mais exigentes.

Currículos mais exigentes significa essencialmente deitar fora as atuais aprendizagens essenciais e regressar às metas curriculares. Aliás, as metas estão feitas, isto é muito fácil, estão feitas e provadas. Poderiam, e deveriam ter alguns ajustes, mas estão feitas.

E porquê é que eu digo que foram provadas? Porque os resultados estão à vista: até 2015 nós melhoramos e em 2015 tivemos os nossos melhores resultados de sempre, tanto no PISA como no TIMSS, ou seja, funcionou.

Em 2015, até fomos tidos como um caso de sucesso e um exemplo para todos os outros países, porque em 15 anos conseguimos superar a média da OCDE.

É verdade, nós conseguimos superar a média da OCDE nas três áreas do PISA e no TIMSS, em Matemática, até passámos acima da Finlândia, que era considerado o grande país da Europa. Nós, de facto, tivemos resultados bastante positivos.

O Governo tem que encontrar a sua forma de o fazer. Agora em termos gerais, o que eu posso dizer. Há duas ou três coisas que são essenciais para um país progredir.

A primeira é um currículo exigente, progressivo, bem estruturado, bem pormenorizado. A segunda é a avaliação sistemática, frequente, válida, com base nesse currículo. E a terceira é um apoio cognitivo aos alunos com dificuldades.

  • Fonte: Rádio Renascença
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